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TUDO NA NATUREZA APENAS CONTINUA
Expresso (5 ☆), Observador (4 ☆) e PÚBLICO (4,5 ☆)

Em Tudo na Natureza Apenas Continua, Prémio Pulitzer Memórias e Autobiografia 2026, Yiyun Li escreve a partir da perda dos seus dois filhos, Vincent e James, construindo um testemunho íntimo sobre a maternidade, a ausência e a permanência dos laços familiares. Entre a escrita e o quotidiano, a autora procura uma linguagem capaz de habitar o indizível, assumindo uma "aceitação radical" perante a tragédia e a forma como ela transforma o tempo. Como escreve José Mário Silva, no Expresso, Yiyun Li busca "uma linguagem capaz de exprimir o indizível", num livro de rara contenção e profundidade.
Observador (5 ☆) e PÚBLICO (4 ☆)

Com Oração para Desaparecer, Itamar Vieira Junior conclui a Trilogia da Terra, iniciada com Torto Arado e continuada com Salvar o Fogo. O desaparecimento de Cid leva Rita Preta a enfrentar a violência, a corrupção e um passado marcado pela desigualdade, numa busca obstinada pela verdade que atravessa gerações e recupera a memória dos que foram silenciados. Na crítica ao romance, Rita Cipriano, do Observador, descreve-o como "uma epopeia sobre dor, violência e a história que nos une", destacando a forma como o autor entrelaça a história íntima de uma família com a história coletiva do Brasil.
Lê aqui a entrevista de Itamar Vieira Junior à Cultura FNAC.
Expresso (5 ☆)

Distinguido com o Prémio Médicis Estrangeiro, Tarântula aprofunda o universo literário de Eduardo Halfon através de um episódio da sua infância na Guatemala dos anos 1980. Dois irmãos regressam ao país natal para participar num acampamento destinado a crianças judias, mas o que começa como uma experiência de formação depressa assume contornos perturbadores. Entre memória, trauma e identidade, o romance revisita um passado que só décadas mais tarde começará a revelar o seu significado. Para José Guardado Moreira, no Expresso, este é "mais um romance surpreendente de Eduardo Halfon", confirmando a singularidade de uma das obras mais consistentes da literatura contemporânea.
PÚBLICO (4,5 ☆)

A Península das Casas Vazias é, nas palavras de José Riço Direitinho, para o PÚBLICO, "um romance ambicioso" que consegue "contar toda a Guerra Civil Espanhola". Soldados, poetas, camponesas, crianças, generais e um vasto clã de olivicultores cruzam os seus destinos numa Ibéria agonizante, onde o fantástico escora a crueza do real. Entre figuras anónimas e nomes como Lorca, Unamuno, Hemingway, Orwell ou Picasso, David Uclés tece uma poderosa tapeçaria de memória, violência e desintegração, num dos romances mais marcantes da literatura espanhola recente.
Lê aqui a entrevista de David Uclés à Cultura FNAC.
Observador, PÚBLICO e Expresso (4 ☆)

Há pessoas a serem perseguidas nas ruas por motivos aparentemente inexplicáveis. Enquanto tenta sobreviver ao caos, a inspetora Judite Furriel descobre um padrão que liga vários episódios de violência a uma narrativa invisível infiltrada no quotidiano, levantando uma pergunta inquietante: quem decide quem merece viver? Em Olga Salva o Mundo, Rui Zink cruza sátira, suspense e comentário social para refletir sobre a desinformação, a polarização e a violência dos nossos dias. No Observador, Ana Bárbara Pedrosa escreve que o romance "apanha os ares dos tempos", destacando a forma como o autor transforma fenómenos contemporâneos em ficção.
Observador e Expresso (4 ☆)

Ela é a cozinheira do ditador. Enquanto prepara banquetes para saciar a fome insaciável de um homem que tudo controla, cozinha também a sua vingança, servida com a subtileza das grandes histórias. Em A Cozinheira do Ditador, Afonso Cruz cruza humor mordaz, reflexão e fábula para explorar as relações de poder e a perversidade escondida no quotidiano. No Expresso, José Mário Silva destaca a forma como o autor combina "uma sofisticada história de vingança" com "um breve tratado sobre a importância da alimentação na cultura humana", confirmando a singularidade da sua escrita.

Num consultório de psiquiatria, em Lisboa, cruzam-se as vidas de um psiquiatra, de um padre que perdeu a fé, de uma arquiteta confrontada com o colapso da vida pessoal e de outras personagens presas aos seus próprios labirintos. Em O Lugar da Incerteza, Patrícia Reis constrói um romance sobre a fé, os afetos e a fragilidade humana, onde cada escolha pode alterar um destino. No Público, Helena Vasconcelos descreve o livro como "uma longa elegia às incertezas do amor, da amizade, das afinidades", sublinhando a forma como a autora explora o imponderável da condição humana.
Lê aqui a entrevista de Patrícia Reis à Cultura FNAC.
PÚBLICO e Observador (4 ☆)

Escrito na sequência da morte de Paul Auster, Fantasmas é o livro mais pessoal de Siri Hustvedt. Ao longo de mais de quatro décadas de vida em comum, a autora recupera diários, cartas e notas, incluindo o esboço inacabado de Cartas a Miles, o último projeto literário de Auster, numa reflexão sobre o amor, o luto, a memória e o poder da linguagem. No Observador, João Pedro Vala escreve que o livro é "o retrato de um luto e uma experiência literária", onde a escrita surge como "tentativa desesperada de se recuperar o controlo sobre uma vida que teima em escapar-nos das mãos".
Lê aqui a entrevista de Siri Hustvedt à Cultura FNAC.
Expresso (4 ☆), PÚBLICO e Observador (3 ☆)

Duas pessoas encontram-se num restaurante em Manhattan. Ela é uma atriz consagrada; ele, um jovem suficientemente novo para poder ser seu filho. A partir desse encontro, Audição desdobra-se em duas narrativas que esbatem as fronteiras entre realidade e ficção, interrogando os papéis que desempenhamos na intimidade, no quotidiano e em palco. Nomeada para o Booker Prize e finalista do Prémio Pulitzer de Ficção, Katie Kitamura confirma a singularidade da sua escrita. No Expresso, José Mário Silva descreve o romance como "uma dimensão intersticial em que Kitamura se move como peixe na água", destacando a precisão da sua prosa.
PÚBLICO (4 ☆)

Numa pequena vila, Agilulfo, um marquês em tempo de República, parece desafiar toda a lógica: quando sobe a montanha ilumina-se, quando desce entrega-se à ignorância. Em torno desta figura insólita, Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre o conhecimento, a estupidez e as contradições do nosso tempo, onde o absurdo convive com o humor e a esperança. No PÚBLICO, Luís Ricardo Duarte escreve que O Século dos Imbecis "estilhaça os modelos do romance realista", recorrendo a uma linguagem povoada de metáforas e imagens de grande originalidade.