Escolhe a tua loja FNAC
Todas as Lojas
Leitor apaixonado de José Saramago desde a adolescência, tatuou a assinatura do Nobel da Literatura na sua primeira passagem por Lisboa. David Uclés fala de A Península das Casas Vazias como quem reconhece uma dívida literária fundadora.
Nesta entrevista, o autor espanhol reflete sobre memória democrática, franquismo e Guerra Civil, mas é na relação quase obsessiva com o autor de Ensaio sobre a Cegueira — “se não o tivesse lido, não escreveria” — que revela uma das chaves mais inesperadas para compreender o seu universo literário e a sua ideia de uma Ibéria sem fronteiras.
O QUE TENS DE SABER:
Com A Península das Casas Vazias, romance de realismo mágico escrito ao longo de quinze anos e construído a partir de uma extensa viagem de documentação pela geografia espanhola, David Uclés tornou-se um dos autores mais vendidos em Espanha.
Licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, é, além disso, músico e desenhador.
Em 2026, recebeu o Prémio Nadal pela sua obra mais recente, La ciudad de las luces muertas.

Publicaste A Península das Casas Vazias quando tinhas 34 anos. A título de curiosidade, Gabriel García Márquez publicou Cem Anos de Solidão aos 39, a mesma idade com que Javier Cercas publicou Soldados de Salamina.
Sim, comecei aos 19 e terminei aos 34, por isso foram 15 anos a trabalhar neste livro. Não tenho propriamente a sensação de ser jovem, porque dediquei muitos anos da minha vida a escrevê-lo.
Mas é verdade que sou jovem, sobretudo se comparar com outros escritores, que demoraram mais tempo a escrever aquela que provavelmente será a sua melhor obra. Por isso, fico contente porque, aparentemente, escritores, livreiros e editores valorizam muito a minha idade. “És tão novo, és tão novo!”, dizem.
E a verdade é que isso me deixa feliz, até porque tenho muita imaginação e muitas ideias. Se tudo correr bem, ainda tenho muito tempo para as concretizar. Por isso, olhando para trás, sinto-me com sorte por ter publicado este livro tão cedo, embora durante aqueles 15 anos tenha achado exatamente o contrário e pensado que tinha tido muito azar.
Porquê?
Porque ninguém o publicava. Não havia maneira de me lerem. Era uma sensação constante de estar a envelhecer, de levar 15 anos nisto e de ninguém me prestar atenção. No final, felizmente, tudo acabou por correr bem.
E durante esses 15 anos de escrita, houve alguém que acreditasse mais no livro do que tu? Quem foi o teu principal apoio durante esse processo?
Nenhum amigo o leu, nenhum editor me deu feedback. Ninguém. Escrevia sozinho. Confiava no mundo que estava a criar, nas suas próprias regras, na sua própria arquitetura, e isso fazia-me feliz. Ao mesmo tempo, tinha consciência de que nunca se tinha contado toda a Guerra Civil num único livro. E o realismo mágico já não se fazia há muito tempo, nem em Espanha nem na América Latina. Pensava: “David, se tiveres sorte, isto vai ser lido.” Mas ter sorte é muito difícil.
Mas tiveste o apoio de duas bolsas que foram muito importantes, verdade?
Ainda bem que o mencionas. Tive um prémio com um romance curto e duas bolsas [Leonardo e Montserrat Roig], que foram muito importantes. A bolsa Leonardo é a maior bolsa de investigação em Espanha, por isso, claro, foi um grande apoio. Ajudou-me a pensar que estava a fazer alguma coisa bem. Com a bolsa Leonardo fiz uma viagem de 25 mil quilómetros por toda a Espanha. Também fui ao Porto.
Porque é que foste ao Porto?
Porque queria que o livro abrangesse a Ibéria.
Já lá vamos.
A bolsa Leonardo foi fundamental. Só é atribuída a um número muito restrito de pessoas e penso que também fui dos mais novos a consegui-la. Normalmente é para pessoas entre os 30 e os 45 anos, e eu ganhei-a com 31.
A Península das Casas Vazias trabalha a memória da Guerra Civil numa perspetiva literária. Até que ponto dialoga com os objetivos do projeto de lei da Memória Histórica, agora designada Lei da Memória Democrática?
A minha primeira ideia era fazer um livro à Macondo [aldeia fictícia criada por Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão] com as histórias da minha família. Demorei 15 anos a escrevê-lo e, por volta do sétimo ano, quando estava bloqueado porque as editoras nem sequer me recebiam, pensei em incorporar a Guerra Civil. Comecei a ler ensaios sobre o tema e pensei: meu Deus, tudo o que aconteceu.
Acabei por integrar isso no texto e, quando o publiquei, percebi que o livro é, de certa forma, pedagógico, até didático, e que acaba por reforçar a memória democrática. Mas esse nunca foi o objetivo principal. O meu objetivo com a literatura é fazer com que o outro viaje — isso é o mais importante — e também que encontre beleza, que é aquilo que tento fazer com a lírica e com as imagens.
Se depois houver outros efeitos, secundários ou colaterais, fico feliz. Mas, se o meu objetivo fosse apenas político, teria escrito um ensaio. Não era esse o objetivo principal. Agora, durante a promoção, sou muito militante: falo constantemente de memória democrática, do fascismo e do crescimento do fascismo nos dias de hoje.
Mas é inegável que o livro contribui para a construção de uma memória democrática.
Claro. Historicamente, e continua a ser assim, a literatura e a arte têm um poder que a legislação não tem: a emoção. Apelam à emoção, provocam uma catarse emocional no outro. Eu posso fazer com que o leitor sinta o mesmo que sentiu o meu avô, ou um preso político, ou uma pessoa que foi fuzilada, e isso é mais poderoso do que qualquer explicação fria. Por isso, claro que o livro reforça a memória democrática.
Em primeiro lugar, porque percorre toda a Península e vai narrando tudo o que aconteceu, em todas as cores políticas e em todos os lados, o que também é algo novo. E depois há outra dimensão: fiz mais de 500 apresentações em dois anos e, sempre que faço uma apresentação, falo de memória democrática.
Em Espanha voltou a falar-se da Guerra Civil por causa do livro e, no fim de contas, isso também é memória democrática.
Voltou-se a falar mais da Guerra Civil, mas ao mesmo tempo também assistimos a uma tentativa crescente de reabilitar a figura de Franco.
Eu costumo dizer que a Guerra Civil espanhola não terminou em 1979, terminou em 1975. Franco, poucos meses antes de morrer, mandou executar três pessoas. A guerra acabou quando Franco morreu.
O problema em Espanha é que, quando Franco morre, começa a transição. E, nesse momento, decide-se manter uma certa equidistância, fazer um pacto de esquecimento e não construir memória democrática. Age-se como se nada tivesse acontecido. E isso pode funcionar durante algum tempo, como tentar reparar uma fuga de água com um penso.
Quando eu era criança, ninguém falava de Franco. Quando era adolescente, também não. A ferida estava escondida. Mas a extrema-direita espanhola — o Chega espanhol, que é o Vox — desenterrou-a e, com uma estratégia muito bem pensada no TikTok, passou aos adolescentes, que ainda estão a construir a sua identidade, mensagens de que os imigrantes roubam, de que lhes tiram o trabalho, de que Espanha é para os espanhóis. Ao mesmo tempo, recuperam a figura de Franco como algo positivo, com discursos de que as mulheres devem ficar em casa e outras ideias machistas e homofóbicas. E essa mensagem tem chegado a muitos jovens. Por isso, aquilo que parecia ser uma ferida encerrada voltou a abrir-se e mostra que esse pacto da transição foi um mau acordo.
Agora temos um problema muito sério, porque temos de mostrar aos adolescentes que Franco era um ditador e tudo o que fez de terrível. E eu não sou otimista: acho que, daqui a cinco ou oito anos, quando houver mais duas mudanças de legislatura — ou seja, quando estes adolescentes puderem votar — o Vox vai crescer muito. E isso é gravíssimo, porque traz censura e destrói direitos.
A Península das Casas Vazias é também uma homenagem aos teus avós. Achas que os jovens espanhóis deviam falar mais com as gerações anteriores para melhor compreenderem a história do seu país?
Sim, para compreenderem coisas como a transição e o franquismo. Porque os avós e os bisavós deles viveram o franquismo e sabem bem que regime foi. E também porque, mais tarde, podem arrepender-se de não ter tido essas conversas.
Durante a digressão do livro, já tive quem, em lágrimas, me disse que conseguiu despedir-se do avô através do livro. Dizem-me que nunca falaram com familiares sobre estas coisas e que, por causa do livro, acabaram por fazê-lo. Isso acontece muitas vezes e faz-me perceber que é mesmo necessário falar com os mais velhos.
É importante ouvi-los contar o mundo sem filtros políticos nem filtros históricos. A intra-história, como dizia Miguel de Unamuno. A história direta, familiar. Eu tive a sorte de, antes de o meu avô morrer, conseguir guardar o maior número possível dos seus pensamentos.
O livro também fala de uma Espanha sem ideologia, da Espanha de quem trabalhava de sol a sol.
Quase todos os livros sobre a Guerra Civil passam-se nas cidades e partem de ideias muito marcadas — muitas vezes do lado da esquerda, com essa lógica de lutar contra o fascismo — e isso acontecia sobretudo nas cidades, e nem sequer de forma tão generalizada.
No campo, as pessoas queriam tranquilidade, queriam paz, queriam cuidar da sua terra. Queriam reformas agrárias, boas reformas que a República trazia. Havia ideologia e havia sindicatos, claro, mas para a minha família — e para outras tantas — o mais importante era sempre o campo. É uma forma muito simples de olhar para a realidade, mas ajuda a perceber muita coisa. Porque há uma dimensão de política que me interessa no anarquismo: essa ideia de organização local. E é verdade, se nos organizarmos localmente, funciona como uma colmeia, e tudo funciona. E isso também se perdeu. Agora somos todos globais e já não sabemos mudar as coisas a partir de baixo. Temos sempre uma visão de cima.
O romance aborda a memória, mas também o vazio. O que representa para ti esse vazio do título?
Quando escrevia o livro, não queria fazer dele um exercício de ego e dizer ao leitor: olhem para o sofrimento da minha família, da minha família, da minha família. Não era isso. Usei a estrutura da minha família porque já existia, porque era uma base concreta, mas o que realmente me interessava era contar algo mais amplo sobre a Península e fazer com que cada leitor da Galiza, de Bilbau ou de Barcelona se pudesse reconhecer ali.
Por isso, quando me dizem que é uma autoficção, eu respondo sempre que não. Inspirei-me na minha família, sim, mas não quero que pensem na minha família. Quero que pensem no povo espanhol.
Portanto, esta não é a história da família do David, é a história da família espanhola.
Exatamente. E quanto ao título, com toda esta divisão em Espanha — essa incapacidade de saber se Franco foi um ditador, quem começou a guerra e por aí fora — acho que há uma coisa com que todos concordamos: depois da guerra, o país ficou destruído. Em todas as casas faltava alguém: um exilado político, alguém fuzilado de um lado ou do outro. O país ficou com casas vazias.
E por que razão a Península? Porque, ao mesmo tempo, também vocês tinham um regime fascista, dois processos totalitários que decorreram em paralelo. Por isso, parece-me que, ao longo do século XX, a Península ficou marcada por esses dois regimes e acabou também ela cheia de casas vazias.
Essa ideia da Ibéria é uma herança literária de José Saramago?
Sim, completamente. Comecei a ficar obcecado por ele aos 15 anos e, quando comecei a escrever, aos 19, já me sentia, de forma muito romântica, iberista. Fiz até uma promessa e disse: “José, nunca vou escrever Espanha, nunca vou escrever Portugal, nem espanhol, nem português. Vai ser sempre Ibéria.”
E não o faço em nenhum dos meus livros. E nem sequer é uma decisão exclusivamente política. O primeiro fala de um pai e de um filho que se despedem, o segundo é uma viagem dentro das pinturas dos museus, o quarto parte da ideia de que a luz desaparece em Barcelona. Mas em todos eles é sempre Ibéria. Quero que os leitores se habituem a esse termo e tenho falado disso em apresentações por toda a Espanha. Além disso, parece-me uma ideia política muito bonita.
Neste livro foi mais difícil, porque a Guerra Civil é uma realidade exclusivamente espanhola. Mas havia um paralelismo muito forte entre Francisco Franco e António de Oliveira Salazar. E pensei que, como o narrador fala diretamente com o leitor a meio do livro, podia assumir que era uma escolha um pouco forçada, mas que fazia sentido incluir também a Lusitânia dentro dessa Ibéria. E estou contente com isso — embora não saiba o que os portugueses pensam.
Qual é a tua visão política para a Ibéria, como é que funcionaria?
Não seria uma anexação, seria uma fusão completamente nova. Um novo espírito. Não seria Espanha a absorver Portugal, seria Ibéria com duas capitais — uma em Lisboa e outra em Madrid — e talvez uma capital simbólica na Raia. Uma República Ibérica Federalista. Acho que seria incrível: criaria novas pontes linguísticas e deixávamos de viver de costas voltadas apesar de sermos vizinhos.
Qual foi o primeiro livro de José Saramago que leste?
O primeiro foi o Ensaio sobre a Cegueira; depois li Todos os Nomes. Os meus favoritos são A Caverna e O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Foi aí que descobri aquelas alegorias: a Península separa-se, num país ninguém morre, todos ficam cegos, todos votam em branco. Encontrei alguém que pensava como eu e isso fascinou-me. Na verdade, escrevo algo semelhante: nasce um vulcão no centro da Península e absorve o sangue da guerra, ou desaparece toda a luz em Barcelona durante um dia. Também jogo com esse tipo de alegorias. E devo isso a Saramago.
Fiz até uma tatuagem com a assinatura dele. Estou agora a dormir em casa de Pilar del Río, no quarto de Saramago... Disse-lhe: “Pilar, sou uma personagem de Saramago.” Porque, se não o tivesse lido, não escreveria. Nunca li a obra completa de ninguém. De nenhum outro escritor. Só a dele.
E em relação à projeção internacional, como imaginas a relação do livro com os leitores estrangeiros? Ouvi-te dizer numa entrevista que, enquanto o escrevias, também pensavas nesse público.
Os meus livros internacionais preferidos são aqueles que me permitem conhecer verdadeiramente outra cultura e outro país. E, enquanto estava a construir este livro, pensei muito nisso: para um leitor estrangeiro, isto pode ser uma viagem por Espanha, pela Ibéria. Estou convencido de que qualquer leitor que tenha curiosidade pelo país e vontade de viajar vai poder fazê-lo através do livro. Por isso, sou otimista.
Lembro-me de que, enquanto o escrevia, há um momento em que descrevo o que é um bar. Para um espanhol, um bar é um lugar de encontro. E o meu editor dizia-me: “Isto tem de sair.” E eu respondia: “Não, porque o leitor estrangeiro precisa de perceber o que é um bar para nós.” E ele dizia-me: “David, se calhar vamos vender cem exemplares e esse leitor nem existe.” E eu respondia: “Foram 15 anos de trabalho.” E estou feliz.
Sou otimista, embora muita gente me diga o contrário, que é um livro demasiado espanhol e talvez difícil para leitores estrangeiros. Eu acho precisamente o contrário: os leitores estrangeiros procuram viajar através da literatura e este livro é uma viagem. Vamos ver o que acontece.
O eldiario.es perguntou a livreiros de 21 livrarias espanholas quais eram os melhores livros do século XXI e A Península das Casas Vazias ficou em sétimo lugar. Como recebeste essa notícia?
Acho que é um lugar muito baixo [risos].
Em primeiro lugar está O Infinito Num Junco, da Irene Vallejo.
É da minha editora e teve um percurso muito parecido com o meu. Ninguém nos conhecia, passámos anos a bater à porta de editoras, até que a Ediciones Siruela nos descobriu e, pouco a pouco, fomos apresentando os livros por toda a Espanha.
Fiquei muito feliz, foi uma honra. Além disso, o eldiario.es é um dos meus jornais preferidos — juntamente com La Vanguardia e El País. Talvez até seja o melhor.
Na verdade, no início, notícias dessas assustavam-me. E sei que isto pode soar pedante, mas é a realidade: quando chego a um sítio e vejo mil pessoas emocionadas com o livro, e percebo que ele já vendeu quase meio milhão de exemplares, noto que está realmente a ter impacto na sociedade. E aí penso: faz sentido que as pessoas votem nele.
Ouvi também que já estás a escrever uma segunda parte deste livro.
Tenho-a toda estruturada. Tenho título, estrutura, princípio, fim, documentos — tenho tudo preparado para me sentar e escrever. Mas antes disso quero que o próximo livro seja sobre outro tema. Quero fazer uma homenagem às pessoas que morreram de sida nos anos 80 e quero que seja muito saramaguiano: uma única ideia mágica e um desenvolvimento realista.
Estou nessa fase e até pondero vir viver para Lisboa. Vou decidir daqui a uns meses, porque antes vou a Itália e estou dividido entre Praga e Lisboa. Depende de um pequeno apoio que talvez receba em Praga. Se não acontecer, venho para cá. Falo um pouco a língua, é Ibéria, canto fado, gosto muito de cantar fado, a minha família está perto… há muitas razões.
E que fados gostas de cantar?
Os da Amália Rodrigues. Adoro cantá-los, gosto mesmo muito.
Sabes que há muita gente que diz, em tom de brincadeira, que és parecido com Salvador Sobral?
Sim, porque temos um rosto um pouco parecido. E depois também a voz, talvez um bocadinho, o vibrato e isso tudo. Dizem-me muitas vezes em Espanha que sou o Salvador Sobral espanhol. E também fui operado ao coração há três meses. Tal como ele.
Já se conheceram?
Ainda não.

Quando o livro começa a materializar-se no mundo real — como aconteceu com a edificação de um túmulo para uma das tuas personagens — deixa de ser apenas literatura?
Na minha terra construíram um túmulo para Odisto, no cemitério. E as pessoas levam-lhe flores. Isso é metaliteratura. É impressionante. É provavelmente das coisas mais bonitas que me podiam acontecer. A minha terra está completamente envolvida no livro: há frases espalhadas pelas ruas, construíram uma cadeira de três metros na praça onde Eva, a vidente, se sentava para falar, e deram o nome de Jándula a várias coisas da vila. É muito bonito.
De quem é o desenho da capa?
De um pintor contemporâneo e amigo de Pablo Picasso [Rafael Zabaleta (1907-1960)]. Nasceu na minha terra e vivia no mesmo monte do meu bisavô. Aquelas figuras são de pessoas da terra, que até podem ser familiares meus. Muita gente pensa que a pintura é minha, porque também pinto; e pinto de forma parecida precisamente porque ele foi o meu mestre. E gosto que tenham mantido a capa original nas edições em Portugal e em Itália. Na Alemanha já não, curiosamente.
O que estás a ler?
Voltei a reler O Ano da Morte de Ricardo Reis, agora que estou em casa de José Saramago, porque passei pelas ruas do Chiado e estou a lê-lo outra vez com essas imagens na cabeça. Também estou a reler As Pequenas Memórias porque é como se ele me estivesse a falar.
Além destes, estou a ler Gioconda Belli, uma autora nicaraguense exilada em Espanha. É minha amiga e vai apresentar um evento de despedida no dia 20 de julho, antes de me retirar para escrever o próximo livro. E assim fecho, em Espanha, uma digressão que já dura há dois anos e meio.
Por Rita Sousa Vieira