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É hora de olhar para os primeiros seis meses de 2026 e recordar alguns dos discos que marcaram o ano até agora. A crítica já fez as suas escolhas. E tu, quais são os teus favoritos?

Quinto álbum de estúdio de Aldous Harding, Train on the Island aproxima a delicadeza melódica de Warm Chris de uma vertente mais experimental. Produzido por John Parish, colaborador de longa data, e gravado nos Rockfield Studios, no País de Gales, o disco inclui os singles "One Stop", "Venus in the Zinnia" e "Coats". Para Joe Goggins, da NME, Harding "introduz novas ideias e reescreve as próprias regras", num trabalho onde as mudanças de estilo convivem com melodias suaves e uma escrita enigmática.
YOU SEEM PRETTY SAD FOR A GIRL SO IN LOVE
Rolling Stone (4,5☆), NME (4,5☆), Pitchfork (8,3)

you seem pretty sad for a girl so in love acompanha Olivia Rodrigo por diferentes momentos de uma história de amor. "Este projeto é uma viagem emocional complexa, que vira do avesso os lugares-comuns e as ideias feitas sobre o amor", escreve Julyssa Lopez na Rolling Stone. O terceiro álbum da cantora cruza sintetizadores, guitarras e referências à new wave com uma escrita confessional e vulnerável, incluindo "Drop Dead", "The Cure" e "Stupid Song". Robert Smith, dos The Cure, participa em "What's Wrong with Me".
Rolling Stone (4☆), NME (5☆), Pitchfork (8,0)

Robyn regressa com Sexistential, oito anos depois de Honey. Desejo, maternidade, sexo e liberdade atravessam um álbum que inclui "Dopamine", "Talk to Me", "Blow My Mind" e o tema-título. Na Rolling Stone, Rob Sheffield escreve que Robyn "parece pronta a deixar tudo para trás e ir para a pista de dança", num disco que assume sem filtros a vida adulta, o desejo e a vontade de continuar a dançar.
Rolling Stone (4☆), NME (4☆), Pitchfork (8,1)

Madonna regressa à pista de dança com Confessions II, 21 anos depois de Confessions on a Dance Floor. Produzido por Stuart Price, o álbum mantém-se em movimento durante 64 minutos, cruzando house, disco e electrónica numa sequência contínua que revisita diferentes momentos da vida da cantora. Entre "I Feel So Free", "Danceteria", "Bring Your Love" e "L.E.S. Girl", surgem memórias da juventude, relações familiares e uma reflexão sobre quem Madonna foi e quem continua a ser. Para Rob Sheffield, da Rolling Stone, este é "o seu melhor álbum desde o Confessions original".
BLITZ (4☆), NME (4☆), Pitchfork (7,3)

O jazz e o trompete, duas das primeiras paixões musicais de Flea, estão no centro de Honora, o seu primeiro álbum a solo. Com uma formação que junta Josh Johnson, Jeff Parker, Anna Butterss e Deantoni Parks, o disco percorre seis temas originais e várias versões, com Thom Yorke e Nick Cave entre os convidados. Um trabalho onde, segundo Alex Flood, da NME, "o talento natural de Flea para o jazz vem realmente ao de cima".
BLITZ (4☆), NME (4☆), Pitchfork (6,7)

A morte está no centro de The Mountain, mas os Gorillaz não lhe respondem com silêncio. Nono álbum de estúdio do coletivo de Damon Albarn e Jamie Hewlett, o disco nasceu na sequência da morte dos pais de ambos e encontra na Índia uma fonte de inspiração para falar de perda, memória e recomeço. Ao longo de 15 faixas, cruzam-se vozes e músicos de diferentes geografias, de Anoushka Shankar a Trueno, Omar Souleyman, Sparks e Johnny Marr. Na BLITZ, Mário Rui Vieira vê em The Mountain "o que está para lá da perda da inocência dos Gorillaz, ou a chegada a um outro patamar de maturidade".
BLITZ (4☆)

Quatro anos depois de "Saudade, Saudade", MARO regressa com So Much Has Changed, um disco sobre mudança, crescimento e as aprendizagens que ficam pelo caminho. Entre "I Owe It to You", "Love's Not to Beg", "Feeling So Nice" e "To Grieve You", a cantora olha para relações, perdas e para a pessoa em que se tornou. Na BLITZ, Mário Rui Vieira considera-o "o disco mais coeso e complexo de MARO", num trabalho que troca algumas das certezas de outros tempos por uma forma mais madura de se relacionar consigo própria e com os outros.
BLITZ (4☆)

Portugal está no centro de Trópico Paranoia, o segundo álbum dos Expresso Transatlântico. Entre guitarras, ritmos e electrónica, o trio cruza diferentes lugares e referências, de Lisboa à Madeira, da Serra da Estrela à Foz do Arelho. Produzido por Paulo Furtado (também conhecido por The Legendary Tigerman), o disco inclui "Nikita Punk", "Avalanche", "Bairro Fantasma" e "Canção Para a Madrugada". No Expresso, Paulo André Cecílio resume a proposta numa frase: "a música soa melhor quando soa a tanta coisa".
BLITZ (4☆)

Dois anos depois do álbum de estreia, os Cara de Espelho regressam com B, mantendo a veia crítica e a identidade musical que marcaram o primeiro disco. As novas canções voltam a partir da música popular portuguesa, mas encontram outros caminhos para falar do presente, da inteligência artificial ao capital estrangeiro e ao extremismo. No Expresso, Lia Pereira escreve que B “mantém as coordenadas do antecessor”, com letras contundentes e uma identidade sonora “indisfarçavelmente portuguesa”.
QUER QUER QUER
A Sul
PÚBLICO (4☆)

Canções introspectivas, relações e vivências pessoais com sonoplastia e cinematografia. Depois do EP Já Agora e do reconhecimento dos Novos Talentos FNAC, a artista chega a 2026 com uma nova etapa do seu percurso. "Gin", "Tela" e "Metáforas" apresentam um álbum que, para Gonçalo Frota, no PÚBLICO, é "uma das melhores estreias recentes da pop portuguesa".
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