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O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC?
Tenho vindo a acompanhar alguns vencedores e pessoas que receberam menções honrosas, em especial na música. Por ser uma plataforma que dá a conhecer artistas com os quais hoje me identifico, e por já terem daí surgido muitos nomes da música portuguesa, decidi participar.
Já te tinhas candidatado a edições anteriores?
Já me tinha candidatado numa edição anterior, mas ainda não tinha nada lançado de forma muito específica. Não foi uma candidatura tão assertiva como esta.
O que representa ser um Novo Talento FNAC?
Muito orgulho. Fico mesmo muito feliz. Primeiro, porque ouviram a minha canção: ouviram aquilo que eu escrevo e a música que faço. Depois, se pensar de forma racional, terem focado a atenção na minha canção, no meio de tantas candidaturas... Deixa-me mesmo muito orgulhoso. É uma coisa que foi feita de forma muito solitária, no meu quarto, e de repente mais gente ouviu e valorizou aquilo que eu fiz.
É um concurso que acompanho há muito tempo e por onde passaram músicos que admiro. O júri deste ano era, também, especialmente importante para mim: são nomes que aprecio muito no panorama musical. Daí que tenha um sabor ainda mais especial.
Que conselho darias a quem está a pensar candidatar-se numa próxima edição?
Diria que vencer é possível. Eu também achava que era muito difícil, porque há muitas candidaturas, mas é possível. Quando é verdadeiro, e quando é uma coisa em que acreditamos, é possível que alguém ouça. Pode não correr bem à primeira nem à segunda, mas acho que vale a pena continuar a trabalhar e a insistir. Um dia alguém vai ouvir e valorizar.
Porque é que decidiste concorrer com A Noite?
Gosto especialmente do videoclipe desta música. Foi gravado numa cidade muito próxima da minha zona: sou de Braga, e gravei o videoclipe em Guimarães, pelas ruas onde passei muitas vezes. É uma música que para mim é especial e achei que fazia sentido enviá-la.
Começaste pelo piano, mas foi a guitarra que acabou por se tornar a tua "cúmplice e confidente". O que encontraste nesse instrumento que não encontraste nos outros?
É um instrumento que me permitia levá-lo para mais sítios; podia estar comigo em mais momentos, e isso pesou. Depois, fui gostando cada vez mais do som da guitarra, e da forma como me acompanhava a cantar. À medida que ia aprendendo, surgia também a vontade de escrever. Foi aí que tudo começou no que às canções diz respeito. A guitarra foi o primeiro instrumento que me impulsionou a escrever.
A formação em jazz influenciou a tua abordagem à composição?
Sem dúvida. Estudar jazz ajudou-me não só a tocar melhor o instrumento, mas também a perceber melhor aquilo que estou a fazer. A materializar teoricamente coisas que, antes, fazia apenas de forma intuitiva. Influenciou-me muito, principalmente em termos harmónicos, e de teoria musical. Permitiu-me perceber melhor aquilo que estou a fazer e deu-me mais ferramentas para compor.
O que mais te surpreendeu desde que começaste a partilhar as tuas canções com o público?
Aquilo que mais mexe comigo é quando as pessoas se emocionam ou me dizem que se identificam com aquilo que escrevi. Muitas vezes, nem é a interpretação que eu tinha inicialmente para uma canção, mas quando alguém me apresenta uma perspetiva diferente e eu percebo que faz sentido, isso é muito especial. É como se a música deixasse de ser apenas minha e passasse a ser também dessas pessoas, que a interpretam à sua maneira e de acordo com aquilo que estão a viver naquele momento. É uma das grandes forças das canções, em geral.
Quais são as tuas principais influências?
Ouço muita música portuguesa, porque é também a música que faço. Mas, antes de pensar nos nomes portugueses dos anos 80 e 90, como Sérgio Godinho ou Jorge Palma, diria que Paul Simon e os Beatles são influências muito importantes. Também procuro influenciar-me recorrendo a outras formas de arte: pela escrita do Saramago, do Chico Buarque... São autores que mexem muito comigo, e de onde vou buscar alguma inspiração para a parte mais lírica. Na música portuguesa atual, gosto muito do Samuel Úria, que fez parte do júri.
Se pudesses escolher um músico para entrar em estúdio contigo amanhã, quem seria e porquê?
Gostava muito de escolher o Paul Simon, porque o ouvi muito ao longo da vida. Se fosse um músico português, escolheria o Samuel Úria. Ouviu a minha música, gostou dela e eu gosto muito do trabalho dele. Seria muito especial escrever, cantar e tocar com ele. E ir para estúdio com ele deve ser muito interessante.
Há alguma expectativa ou rótulo dentro da indústria musical que gostasses de ver desaparecer?
Não gosto muito da necessidade de arrumar toda a música em gavetas. Ou é pop, ou é rock, ou é música de cantautor, ou é jazz. Muitas vezes somos uma mistura de tudo aquilo que ouvimos e nem sempre é fácil encaixar num único estilo. Isso é uma coisa que às vezes me atrapalha, porque também fico a pensar se uma música foi mais influenciada pelo jazz que estudei ou pelos artistas que ouço desde pequeno, como Leonard Cohen ou os Beatles. Mas não gosto muito de pensar nisso... Gosto de fazer música livremente, sem muitas arrumações.
Há um outro conceito de que também não gosto: os guilty pleasures. Se gostamos de uma coisa, gostamos. Não tem de haver culpa.
Se pudesses mudar uma coisa na forma como o público consome cultura, o que mudarias?
Vivemos num tempo em que tudo é muito rápido. E, nas rádios portuguesas, ouvimos muitas vezes as mesmas músicas e os mesmos estilos. Aquilo que se ouve mais lá fora, aquilo que é de consumo rápido. Gostava que as rádios portuguesas apostassem mais naquilo que se escreve e se faz em Portugal. Que facilitassem mais a entrada de novos músicos no panorama musical português. Não gosto muito da expressão "educar o público", mas num mundo tão acelerado é importante criar espaço para mostrar coisas novas, boas e com valor. Isso pode ajudar as pessoas a prestar mais atenção e a descobrir novos artistas.
Estás a trabalhar em novos projetos? O que podemos esperar nos próximos tempos?
Estou sempre a compor. Lancei o meu primeiro EP no final de 2025 e, agora, estou focado em tocar essas canções ao vivo. Ao mesmo tempo, continuo a escrever e já estou a pensar no próximo passo. Ainda estou a decidir se será um álbum ou um novo EP, mas o objetivo é continuar a gravar canções e lançá-las em breve.
Onde podemos seguir o teu trabalho?
O meu EP, contra tempo, está disponível em todas as plataformas digitais. É um conjunto de seis canções em português, onde está incluída a música que foi premiada. Também podem acompanhar-me através do Instagram, onde vou partilhando os concertos, os sítios onde vou tocar e os próximos projetos.
Fica a conhecer todos os premiados dos Novos Talentos FNAC 2026 nas categorias de Cinema, Escrita, Fotografia, Ilustração, Música e Videojogos. Descobre AQUI os seus trabalhos.