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O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC?
Antes de mais, acho que é uma grande iniciativa por parte da FNAC, para dar a conhecer os novos talentos que Portugal tem. Eu já participo há muitos anos. Lancei o meu primeiro EP em 2023 e, desde então, ano após ano, tenho tentado a minha sorte. 2026 foi o ano e estou muito feliz.
O que representa ser um Novo Talento FNAC?
Representa muito, devido ao painel de jurados desta categoria. São pessoas cujo trabalho admiro imenso e o facto de terem ouvido a minha canção e gostado dela é uma grande oportunidade. Dá-me capacidade para continuar a investir neste projeto musical e uma força extra para continuar o trabalho. Este reconhecimento foi mesmo muito importante para mim.
Que conselho darias a quem está a pensar candidatar-se numa próxima edição?
Nunca desistir. Mesmo! Candidatei-me em 2023, 2024 e 2025 e, este ano, já estava a pensar que talvez fosse melhor não me candidatar. Já tinham sido muitas as tentativas e já não acreditava que isto pudesse acontecer. Mas uma amiga minha disse: "Não quero saber”, e preencheu a minha candidatura por mim. Mesmo quando parece que nada vai acontecer, vale a pena continuar a persistir!
Porque é que decidiste concorrer com Postal em Branco?
Porque era uma canção de que o meu público sempre gostou muito. Quando a cantava ao vivo, as pessoas reagiam sempre muito bem. Há uma parte do refrão que é “lai lai lai” e toda a gente consegue cantar, sejam portugueses, franceses ou de qualquer outra nacionalidade. Como tal, a minha amiga decidiu-se por este tema.
A música entrou cedo na tua vida, mas durante algum tempo parece ter ficado em segundo plano. Como foi perceber que aquilo que parecia um desvio era, afinal, o caminho?
Desde muito cedo andei em escolas de música, mas tinha outra grande paixão, que era o andebol. Era federada, vinha jogar para Lisboa – apesar de ser do Algarve – e, quando me mudei para cá, decidi experimentar o andebol de praia. Nesse ano, caí em cima do ombro e tive uma lesão grave. Quando regressei, depois da fisioterapia, já não era a mesma coisa. A música tornou-se um grande refúgio para mim e começou a ganhar cada vez mais peso.
Mais tarde, quando entrei para a faculdade, entrei também para a tuna. Foi uma forma de voltar a aprender música, porque já tinha alguns conceitos esquecidos. O bichinho começou a crescer novamente e, quando terminei a licenciatura, entrei logo no jazz.
A tua música cruza pop, tradição portuguesa, afro e jazz. Como encontras equilíbrio entre influências tão diferentes sem perder a tua identidade?
Por acaso, sinto que isso acontece de forma muito natural. Ouço uma grande variedade de géneros musicais e isso acaba por aparecer naturalmente na minha música. Vou buscar várias referências e, depois, as coisas encaixam. Para mim, esse processo acontece de uma forma muito orgânica.
Como nasce uma canção tua?
Tem várias formas de acontecer, mas o que me tem acontecido mais, ultimamente, é pegar na guitarra e começar a experimentar harmonias. A partir dessas progressões harmónicas surge quase sempre uma melodia. Depois, penso sobre aquilo que quero dizer na canção, sobre aquilo que precisa de sair de dentro de mim, e começo a escrever. Vou encaixando tudo na métrica e a canção acaba por nascer dessa forma.
Quais são as tuas principais influências?
Gosto muito de Luís Severo. Foi muito importante para mim naquela fase de transição entre o secundário e a faculdade, quando a música voltou a ganhar espaço na minha vida. Também gosto de Valter Lobo e A Garota Não. Foram três artistas fundamentais para eu começar a escrever as minhas próprias canções. Gosto muito da escrita deles, e tiveram um papel muito importante nesse processo.
Se pudesses escolher um músico para entrar em estúdio contigo amanhã, quem seria e porquê?
A Garota Não. Tem feito um percurso extraordinário, e seria um enorme prazer estar em estúdio com ela, aprender muito com a sua experiência.
Há alguma expetativa ou rótulo dentro da indústria musical que gostasses de ver desaparecer?
Uma coisa de que não gosto muito é quando me perguntam qual é o meu género musical. Não sinto que me encaixe totalmente no pop, porque a minha música tem outras influências e algumas coisas mais complexas. Mas também não sou jazz... A minha última música, Maré Cheia, é mais pop, mas também não o é exatamente! Estas definições são complicadas e isso acaba também por ser um desafio para as rádios de maior dimensão...
Se pudesses mudar uma coisa na forma como o público consome cultura, o que mudarias?
Gostava que houvesse mais diversidade de géneros musicais a chegar ao público. Os artistas que são mais facilmente rotulados como pop acabam por ter mais espaço nas grandes rádios, e isso influencia naturalmente aquilo que as pessoas ouvem. Sinto que deveria existir uma maior diversidade musical nessas rádios, porque há muito talento português que só precisa desse empurrão. Temos a Antena 3, a Antena 1 e muitas rádios mais pequenas a fazer um trabalho excelente, mas há muitas canções muito boas que poderiam passar mais vezes nas rádios.
Estás a trabalhar em novos projetos? O que podemos esperar nos próximos tempos?
Lancei há menos de um mês o single Maré Cheia, o primeiro avanço do meu álbum de estreia, que deverá sair em 2027. O tema principal será, em princípio, Estrada de Gerações, com a Joana Espadinha, que foi minha professora e mentora nos Cursos de Jazz do OTO Club; este convite representa um passo muito importante para mim. O álbum está a ser preparado com toda a dedicação e amor, e será o culminar de vários anos de trabalho.
Onde podemos seguir o teu trabalho?
Podem seguir-me no Instagram, no YouTube, através do meu site, martalima.com, e também no Bandcamp.
Fica a conhecer todos os premiados dos Novos Talentos FNAC 2026 nas categorias de Cinema, Escrita, Fotografia, Ilustração, Música e Videojogos. Descobre AQUI os seus trabalhos.