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O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC?
Já conhecia o concurso há algum tempo e era uma coisa em que gostava muito de participar. Além disso, o prémio monetário permitir-me-ia financiar novos projetos. Foi também a minha mãe que me incentivou a participar e foi isso que me levou a inscrever o meu filme.
Já te tinhas candidatado a edições anteriores?
Não, foi a primeira vez.
O que representa ser um Novo Talento FNAC?
Fiquei muito honrada. Não estava à espera de ganhar. Significa muito para mim porque estou ainda a começar e acho importante dar visibilidade a pessoas que estão a iniciar o seu percurso com projetos novos. Ter esta oportunidade nesta fase acaba por ser muito especial.
Que conselho darias a quem está a pensar candidatar-se numa próxima edição?
Acho que o mais importante é ser genuíno e fazer uma coisa de que realmente gostamos, em vez de tentar fazer algo para agradar aos outros. É importante desenvolver uma linguagem própria. Às vezes há projetos que tentam ser coisas que não são e isso acaba por não funcionar tão bem. Além disso, todo o processo de criação se torna mais fluido quando estamos próximos daquilo que estamos a fazer.
Porque é que decidiste concorrer com este projeto?
Corsa foi um filme que fui construindo ao longo do tempo. Foi um processo muito experimental. Decidi fazê-lo de forma independente, sem patrocínios. Fiz praticamente tudo sozinha, com exceção do trabalho de som. Achei que era uma boa oportunidade para apresentar um projeto verdadeiramente meu e não algo desenvolvido para a escola, porque a maior parte dos meus trabalhos surge nesse contexto. Também me interessava perceber como funcionam as candidaturas a festivais e outros espaços de exibição.
Consegues falar-nos um pouco desta curta?
Este filme tem origem numa experiência pessoal. Quando era pequena, emigrei para outro país. A curta fala sobre um animal que eu procurava ver numa floresta por onde passava a caminho da escola, mas que nunca aparecia. Esse animal acabou por simbolizar muito o processo da minha imigração e, mais tarde, o regresso ao meu país de origem.
Quais têm sido os principais desafios do teu percurso até agora?
Neste projeto em particular, o processo foi bastante linear porque era algo que estava a fazer por gosto. Tinha saudades de desenhar, porque gosto muito de pintura, e queria explorar isso através da animação. Foi um projeto relativamente simples. Só na fase final se começou a tornar mais cansativo, mas isso é normal em qualquer produção.
O que te atrai na animação?
A animação não foi algo que imaginei que viesse a recuperar mais tarde. Quando tinha entre oito e dez anos fazia pequenos filmes em stop motion; construía os meus próprios bonecos e divertia-me muito com isso. Depois, fui crescendo e acabei por me interessar mais pela montagem, a animação ficou um pouco para trás. Mais tarde, senti muitas saudades de desenhar, e decidi voltar a explorar essa vertente. Comprei o programa com que trabalho atualmente e comecei a fazer filmes de animação. Foi um regresso muito natural a algo de que gosto bastante e que hoje procuro integrar nos meus trabalhos em vídeo.
Com apenas 20 anos, já viste filmes teus serem distinguidos no YMOTION ou no Festival de Curtas de Arganil e integrarem seleções de festivais como os Prémios Sophia Estudante, o Fantasporto ou o Porto Femme. Há algo que sintas que as pessoas assumem sobre ti ou sobre o teu trabalho por causa da tua idade que não corresponde à realidade?
Por acaso, não. Talvez as pessoas não estejam à espera da minha idade, mas nunca senti que isso fosse uma surpresa muito grande ou que condicionasse a forma como olham para o meu trabalho. Também não costumo receber comentários nesse sentido. Normalmente dão-me os parabéns, mas a questão da idade raramente surge.
Sentes que tens uma identidade autoral já definida ou estás ainda numa fase de procura e exploração?
Sinto que já tenho uma linguagem muito própria. Acabo por seguir uma estética e uma linguagem de montagem, tanto a nível formal como narrativo, que reconheço como minhas. Acho que já percebo aquilo que quero fazer, e isso ajuda muito quando estou a realizar os meus filmes. Para mim, é mais interessante criar algo que seja verdadeiramente pessoal.
Quais são as tuas principais influências?
Sou muito influenciada pela música. Embora não seja necessariamente algo muito visível nos meus filmes, estou quase sempre a ouvir música quando escrevo, e isso acaba por influenciar bastante o processo. Também sou influenciada pelo cinema experimental e pelos festivais de cinema. Gosto muito de ver filmes, e retiro inspiração de muitas obras que vou descobrindo. Além disso, a pintura tem um peso muito grande no meu trabalho. Gosto que os meus planos tenham uma dimensão pictórica, e penso muito nessa relação quando construo as imagens.
O que te atrai mais no formato da curta-metragem? Há alguma curta portuguesa que te tenha marcado particularmente enquanto espectadora e realizadora?
Há várias obras que me marcaram. Posso destacar Lobo e Cão, da Cláudia Varejão, apesar de ser uma longa-metragem. Gosto muito de Rogério, do Salvador Gil, e também de Luz da Manhã, da Cláudia Varejão.
Há alguma ideia feita sobre o cinema português que gostasses de desafiar?
Acho que um dos principais problemas do cinema português está na divulgação; muitas vezes não é suficientemente promovido, e isso faz com que as pessoas tenham uma ideia limitada daquilo que se faz cá. Existe algum preconceito, porque muita gente associa imediatamente a produção nacional às telenovelas ou ao que vê na televisão. Mas há todo um lado do cinema português que simplesmente não chega ao público da mesma forma. Acho importante que as pessoas vejam um pouco de tudo e não partam logo de ideias preconcebidas.
Se pudesses mudar uma coisa na forma como o público consome cultura, o que mudarias?
Gostava que as pessoas fossem mais ao cinema. Hoje, muita gente vê filmes no computador ou até no telemóvel e isso altera bastante a experiência. Ver um filme numa sala é algo muito mais coletivo e muito mais interessante. É uma experiência diferente, e acho que vale a pena preservá-la.
Estás a trabalhar em novos projetos? O que podemos esperar nos próximos tempos?
Acabei agora um novo filme chamado Dente de Leão, é um filme experimental relacionado com astronomia. Não é uma animação, é sobretudo vídeo, embora também incorpore alguns elementos animados. Neste momento, estou a iniciar o processo de submissão a festivais. Além disso, no próximo ano vou começar a desenvolver o projeto final do curso onde estudo.
Onde podemos seguir o teu trabalho?
Para já, partilho o meu trabalho no Instagram. Ainda não tenho um site, embora esteja a pensar criar um portefólio online mais completo.
Fica a conhecer todos os premiados dos Novos Talentos FNAC 2026 nas categorias de Cinema, Escrita, Fotografia, Ilustração, Música e Videojogos. Descobre AQUI os seus trabalhos.