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O que te levou a participar?
Tinha este filme quase pronto, já estava a trabalhar há imenso tempo nele e finalmente senti-me contente com o resultado. Quando vi o regulamento, percebi que reunia todas as condições para participar. Então pensei que não podia perder a oportunidade.
O que sentiste quando anunciaram o teu nome e percebeste que tinhas vencido?
Fiquei muito contente. Este filme demorou a ficar como eu queria, agora está como o imaginei. Fiquei muito feliz por essa não ser só a minha opinião e ser também a opinião do júri.
Do que fala Coney Island - As primeiras vezes?
Fala sobre uma viagem a Coney Island. Li o livro da Patti Smith, o Just Kids, e nele há um capítulo onde ela vai lá com o Robert Mapplethorpe [fotógrafo]. Estava em Nova Iorque quando li o livro e isso levou-me a querer fazer exatamente tudo o que ela fez. O filme fala sobre isso, mas também sobre a ideia de não ser possível fazer tudo o que ela fez e como o fez. Porque eu também tenho as minhas memórias...
Quando é que começaste a trabalhar no filme?
Foi feito em várias fases diferentes. Filmei quando fui a Coney Island, mas fiquei com esse material durante imenso tempo. Até cheguei a pensar que não faria sentido fazer algo com ele. Depois, fiz uma primeira edição, que não me fez muito sentido. O filme só começou a fazer realmente sentido quando falei com o meu amigo Frederico Baptista [que lhe dá voz]. Expliquei-lhe as minhas ideias, a confusão que ia na minha cabeça, tudo o que estava a querer contar e não estava a conseguir e ele organizou tudo isso num texto. A partir daí a história começou a fazer sentido e as imagens que tinha capturado também. Demorou bastante tempo até o filme ficar pronto, fui a Coney Island em 2017 e só este ano é que ficou como queria.
Esta curta é o teu primeiro trabalho?
Sempre gostei de fazer curtas, mas sempre com o telemóvel, coisas mais pequeninas, experimentações. Por isso sinto que este é, oficialmente, o meu primeiro trabalho.
Filha de peixe sabe filmar?
Não sei, espero que sim [risos]. Este filme é feito de muitas fotografias, sabe pelo menos enquadrar.
Não é segredo que és filha do realizador João Botelho. Sentes uma maior responsabilidade por ter o apelido Botelho ou sentes que isso possa dificultar a tua afirmação no meio?
Vejo isso em relação aos meus irmãos, que também trabalham nesta área. Muitas vezes dificulta, mas se fizermos as coisas que gostamos e se contarmos boas histórias... Mas é preciso encontrar o nosso caminho, o meu caminho.
Quando é que percebeste que querias seguir esta área?
Andei um bocado a fugir dela. Fiz o liceu e depois estive cinco anos em Londres a trabalhar em várias áreas diferentes. O cinema sempre esteve lá e agora percebi que já não vale a pena fingir que quero outra coisa.
És também atriz. Onde te sentes mais confortável, atrás ou à frente da câmara? Num palco ou num set?
Sinto-me muito bem em rodagens, gosto de trabalhar como atriz, mas poder contar as histórias que eu quero é algo muito poderoso. É um misto.
O trabalho como atriz ajuda na realização, e vice-versa?
Sim, falava exatamente sobre isso outro dia com um rapaz que também é ator e faz assistência de realização. Ele diz que desde que o faz é melhor ator porque também sabe melhor os tempos, o que é que está a acontecer, percebe melhor o plano. Há uma sensibilidade diferente na forma de lidar com os atores, porque sabes como é que gostam que também falem contigo.
Quem são as tuas referências?
A minha cabeça é uma confusão. Nesta curta falo muito no Feiticeiro de Oz, um filme que acho que estará sempre presente em todos os meus trabalhos. Mas também gosto muito de um realizador norte-americano chamado Jeff Nichols, de trash TV e de música pop; gosto de ir aos museus ver quadros e acho que isso também me influencia. Trabalho numa receção em part-time, onde conheço 'muitas personagens' que me influenciam. Acho que é muito importante ter noção de que há outro mundo além deste e é mais fácil contar histórias não vivendo apenas numa bolha. Claro que adorava trabalhar apenas como atriz ou como realizadora, mas a verdade é que esses trabalhos que fui tendo ao longo da vida ajudam-me a ter outra perspectiva.
Que outros projetos tens para o futuro, podes contar algum?
Estive o ano passado a acompanhar a Sara Carinhas, que faz a voz para o filme, numa peça que esteve a fazer chamada A Última Memória. Tenho muito material de backstage, então gostava de tentar fazer um documentário. Ainda estamos a tentar descobrir o que é que o filme pode ser. Também estou a escrever uma curta chamada Set Up com base nos tempos em que trabalhei na área do catering quando vivia em Londres.
E agora, qual é o caminho que queres que Coney Island - As primeiras vezes percorra?
Gostava que muita gente o visse e que talvez pudesse ir a alguns festivais. Não sei, até porque ele agora já não é só meu. É de todos.
Conta-nos uma coisa que mais ninguém saiba.
Guardo os dentes da minha cadela Loti numa gaveta. Ela está a perder os dentes de leite e estou a guardá-los, tipo primeiro filho.
Onde podemos seguir o teu trabalho?
Na minha conta de Instagram onde partilho coisas que escrevo, @jo.bo__says, ou na minha conta pessoal, @jo.bo__. Agora é por aí, mas espero não ficar presa apenas pelas redes sociais.
Vê AQUI o trabalho vencedor e as duas menções honrosas na categoria de Cinema dos Novos Talentos FNAC 2023.