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ITAMAR VIEIRA JUNIOR EM ENTREVISTA
ENTREVISTA A ITAMAR VIEIRA JUNIOR ENTREVISTA A ITAMAR VIEIRA JUNIOR

"O livro só ganha vida no corpo de quem o lê”



Itamar Vieira Junior, vencedor do Prémio Leya 2018 com Tordo Arado, esteve em Portugal para apresentar o seu novo romance Salvar o Fogo. Considerado um dos mais importantes escritores brasileiros da atualidade, o seu primeiro livro vendeu mais de 400 mil exemplares no Brasil. Em entrevista à FNAC, o autor falou sobre a relação com os leitores e revelou um segredo de uma das suas personagens.



Torto Arado foi escrito durante a sua adolescência e terminado já em fase adulta. E Salvar o Fogo?


A história de Salvar o Fogo surgiu enquanto escrevia Torto Arado. Queria debruçar-me sobre a vida de uma personagem e ali não havia espaço para o fazer sem que a história perdesse um tanto o sentido. Foi dessa maneira que Salvar o Fogo surgiu. Eu achei que o escreveria logo de seguida, mas aí veio esse turbilhão que foi o Prémio Leya, o Prémio Jabuti e o Prémio Oceanos. Tive de aguardar um pouco e deixar a poeira acalmar para me poder debruçar sobre a escrita deste romance. 

 




Qual a importância do Prémio Leya?


Teve uma importância imensa. Quando escrevemos e não temos contacto com o mercado editorial, temos muita dificuldade em publicar. No Brasil, por exemplo, não me arrisquei a enviar para nenhuma editora o original de Torto Arado, eu sabia que iria parar na gaveta. Sou um autor que mora fora do eixo Rio-São Paulo… Para mim, só fazia sentido concorrer a um prémio literário. Esses prémios são bons em vários sentidos. Primeiro, porque concorremos anonimamente. Então, se alguma coisa der errado, ninguém vai saber que você não ganhou. Depois, porque os prémios têm um júri qualificado, é uma maneira de apresentar o que você escreve e saber se tem valor literário ou não.

Fui surpreendido com o Prémio Leya, confesso que não esperava que uma história sobre o interior do nordeste brasileiro, sobre uma comunidade rural, fosse premiada. Esse livro tem-me surpreendido de inúmeras maneiras porque conquistou muitos leitores, recebeu muitas traduções no exterior, e outras ainda estão por vir. Ou seja, o peso de um prémio como este foi fundamental. Inclusive para que eu o publicasse no Brasil. Não vejo uma publicação de Torto Arado no Brasil se eu não tivesse ganho o Prémio Leya. 

 

Ele foi publicado primeiro em Portugal e só meses depois é que saiu no Brasil.

Exatamente. Os portugueses tiveram o privilégio de conhecer antes a história. O prémio é de 2018 e Torto Arado foi publicado em fevereiro de 2019 em Portugal. No mês de agosto chegou ao Brasil e quando foi publicado os editores brasileiros já sabiam que tinha circulado na imprensa de Portugal. 

 

Para ler Salvar o Fogo é necessário ter lido primeiro Torto Arado?


Podem começar por este livro. A ideia de que uma personagem retorna à história de Salvar o Fogo não altera em nada a ordem em que os livros podem ser lidos. Já me fizeram essa pergunta algumas vezes e eu digo sempre que não faz diferença. O leitor pode conhecer esta história e depois ir conhecer Torto Arado. Até porque são histórias autónomas, que têm identidade e questões próprias. Ainda que se passe num mundo rural, que seja atravessada pela disputa de terras no Brasil, as histórias têm marcas próprias. 

 

Numa entrevista disse que “para parte do Brasil é bem estrangeiro o que Torto Arado aborda”. Passa-se o mesmo com Salvar o Fogo?

Com certeza, o Brasil é um país de dimensões continentais. É um país étnico e culturalmente diverso. Como essa história se passa no interior do nordeste brasileiro, no interior da Bahia, tem pessoas no norte, no sul, no sudeste, que não têm conhecimento sobre estas histórias e que terminam por descobrir o Brasil. Parte desse desconhecimento não é de todo mau. O Brasil está sempre a descobrir o Brasil. Eu mesmo adoro ler coisas que são escritas em lugares, paisagens, contextos diferentes. Acho que não é diferente com esta história. 

 

Sentiu a chamada dificuldade do segundo romance?


Teve um momento em que eu fiquei um pouco balançado. Tudo o que aconteceu com Torto Arado foi um pouco inesperado. Depois de ganhar o Prémio Jabuti e o Prémio Oceanos, já depois do Prémio Leya, o livro teve uma explosão de vendas no Brasil. Fui procurado pela imprensa, queriam que eu aparecesse em programas de TV... E eu já estava a escrever Salvar o Fogo e pensava: 'nossa, será que as pessoas vão querer que eu entregue algo desse tipo?'. Porque tudo o que aconteceu com Torto Arado não foi planeado. Aí eu percebi que o meu interesse pela escrita era maior, não tinha como eu me permitir bloquear pelo sucesso de um livro anterior. Deixar de escrever seria deixar parte da minha vida de lado. Então estabeleci um pacto: tudo o que acontecia com Torto Arado era da porta da minha casa para fora, dentro de casa eu era o mesmo velho Itamar, que se interessa pela leitura, pela literatura e que queria escrever. Esse pacto tirou um peso do segundo livro. Quando o entreguei para os editores, tive a confirmação que de facto tinha ido para outro caminho, que tinha amadurecido a minha escrita e que não tinha o que temer. 

 

Sabemos o espaço geográfico de Salvar o Fogo, mas não o temporal. Porquê?


Há uma razão, e o mesmo acontece em Torto Arado. Temos as histórias individuais, das personagens, do Moisés, da Luzia ou do Mundinho, mas a história dessas pessoas é determinada por uma história anterior. Ou seja, são livros, são narrativas que tratam das permanências. Tratam dos nossos traumas, do nosso passado esclavagista, que ainda é determinante para a sociedade brasileira. Por tratar desses temas optei por desafiar o leitor. De que tempo estamos a falar? De hoje ou de ontem? Como leitor gosto de me sentir desafiado e, como autor, gosto de desafiar os leitores. Em que tempo se passa esta história? Eu não tenho a resposta definitiva para isso. Ou a minha resposta não faz diferença para o que o leitor compreende da história. 

 

Há algumas pistas, algumas delas contraditórias, que desafiam o leitor. É um exercício interessante o de tentar situá-lo na história do Brasil.  

Eu penso em mim como leitor, gosto desse desafio. Gosto de pensar que a leitura é esse jogo entre autor e leitor. Um livro fechado não está vivo. Escrevi, vivi toda a experiência da história, mas o livro só ganha vida no corpo de quem o lê, porque é o leitor que projeta as personagens na sua mente, é ele que faz o encadeamento de ideias e eventos que a narrativa traz. Ou seja, eu não posso subestimar o leitor. Dar-lhe tudo pronto e achar que ele vai entender da maneira como escrevi. Não, tenho que entregar algo para que ele conclua e viva essa história. 

 

De que forma estas personagens contam a história do Brasil?


Elas contam com a sua própria trajetória, a partir do que elas entendem como parte do seu mundo. É muito interessante porque temos em Salvar o Fogo duas personagens que fazem parte de uma comunidade que vive à sombra de um convento católico do século XVI, que remonta ao tempo da colonização, e elas não se dão conta disso. De como aquilo afeta a vida delas. Quais são os sentimentos que elas nos transmitem? Elas querem deixar aquele lugar, sonham deixar Tapera do Paraguaçu. Porque não veem perspetiva de vida nenhuma ali. Mas aos poucos a gente vai conhecendo tudo o que elas têm a dizer e, a partir da vida individual destas personagens, entramos num espaço que é muito maior. Porque a história da Luzia e do Moisés, é a história do Itamar mas também de um coletivo de muitas pessoas que tiveram as suas histórias inviabilizadas, apagadas ou que ainda estão em situação de conflito ou de subserviência no Brasil.

 

Alguma destas personagens foi inspirada em pessoas que conheceu enquanto servidor público do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)?


Enquanto servidor público não, mas eu vou contar um segredo que não sei se já contei para algum jornalista. A Luzia — bom, as características físicas dessa personagem — foi inspirada numa pessoa real, na minha tia, a tia Isabel Pequena, que eu conheci era muito criança e ela já era idosa. Ela era uma mulher negra, que tinha uma corcunda, e que durante muitos anos lavou a roupa da igreja. Ela não casou, não teve filhos, viveu num quarto muito pequeno e a única coisa que deixou de herança para a família foi um travesseiro muito antigo de penas. A vida dessa mulher tinha todos os elementos para parecer insignificante, mas a marca que ela deixou no meu imaginário foi tão forte que ela ganhou corpo na vida da Luzia. Embora, claro, as coisas que ocorrem na vida da Luzia são imaginárias, fazem parte da minha imaginação, não ocorreram com Belita. Chamávamos de Belita à tia Isabel Pequena, e pequena porque havia a tia Isabel Grande. Era para diferenciar.

 

Tem uma ligação familiar ao rio Paraguaçu, cujas margens voltam a ser cenário da sua narrativa. Até onde vai este rio, pode ir até ao próximo romance?


O rio nasce lá em Chapada Diamantina [Bahia], onde se passa o primeiro romance, Torto Arado, e corre até à Baía de Todos-os-Santos [Bahia], até ao Atlântico. O rio também carrega muitas metáforas, é o rio da vida, da história. Este rio, o Paraguaçu, é o rio dos meus ancestrais paternos. Meu pai já nasceu na cidade, mas com um mês de vida foi levado pelos avós, porque a mãe adoeceu, para ser criado nas margens do Paraguaçu. Meus avós paternos, meus bisavós, todos nasceram nesta região, então ela tem um simbolismo muito forte para mim e para a minha vida. Eu costumo imaginá-lo como o rio dos meus ancestrais, onde bebo na fonte das minhas origens.

 

Pode explicar o que é a vingança dos tupinambás e qual a importância dela para a história?


É uma história muito interessante. A vingança tupinambá guarda algo que chamamos de sentido de justiça. Tupinambá era uma etnia, que ainda existe no sul do estado da Bahia. Quando os europeus chegaram a essa fração do território, ficaram muito intrigados porque existia um ritual, que foi lido durante muito tempo como um ritual bárbaro, primitivo, que era o canibalismo. A princípio parecia que era algo muito bárbaro, mas quando os Jesuítas se debruçaram sobre a leitura deste ritual indígena foram colhendo elementos que mostravam um sentido de justiça para aquelas pessoas. Inclusive a ideia de humanização daqueles que seriam punidos com o ato final, com o ritual final. Era tornar os estrangeiros, aqueles que eram inimigos, humanos. Para depois, por fim, colocar um fim nas suas vidas. Ela tem um sentido na narrativa porque aquelas personagens são descendentes do tupinambá. O Moisés sofre uma violência, que vamos descobrir ao longo da história, e esse ritual só vai se concretizar mais à frente e de uma maneira muito diferente. Não envolve nada dessas expressões antigas e que remontam à história dos tupinambás há cinco séculos, mas ainda guarda esse sentido de justiça que talvez não tenha sido perdido. 

 

O que significa vender mais de 400 mil exemplares de Torto Arado, e mais de 37 mil na pré-venda de Salvar o Fogo, num país que está a perder leitores, segundo dados do relatório Retratos da Leitura no Brasil?


É um dado muito interessante quando se fala que no Brasil não há leitores. Acho que os brasileiros têm procurado por narrativas que contem a sua história. Acho também que as editoras precisam utilizar estratégias para convocar leitores. O Estado brasileiro precisa também de intervir e adquirir livros para quem não os pode comprar. Ou seja, precisa de políticas públicas... Porque quando se fala de literatura, falamos de cultura e também de educação.

Isso mostra que há leitores no Brasil, mas de facto talvez ainda não se tenham escrito as histórias que precisam ser lidas, que os leitores querem encontrar. Mas vejo um momento muito interessante na literatura brasileira. Não só dos autores que estão a falar desse Brasil rural, mais profundo, mas também dos autores que estão a escrever sobre um Brasil urbano. Parece que de há uns anos para cá, o interesse pela literatura brasileira se renovou. O caso de Torto Arado é um caso especial, mas há muitos escritores vendendo bastantes livros no Brasil porque os seus livros se tornaram bestsellers. Alguns deles publicados já em Portugal, como a Andrea del Fuego, com A Pediatra, o Jefferson Tenório, com O Avesso da Pele ou a Carla Madeira, com Tudo é Rio. Este é um momento bem profícuo da nossa literatura e a nossa literatura, de facto, tem encontrado os seus leitores.

 

Surpreendeu-o Torto Arado ter sido um fenómeno de vendas no Brasil? Um livro com uma história protagonizada por uma família negra, passado no interior do país, que conta a história de pessoas que lutam por um pedaço de terra? Que aborda temas como a escravidão ou racismo…


Acho que todos nós que escrevemos, autores, estamos refletindo sobre o nosso tempo. Este é o momento que o Brasil vive um momento especial, onde a questão fundiária relativa às comunidades afro-descendentes ou relativa à questão indígena são temas que estão na pauta, que se tem falado muito hoje em dia na sociedade brasileira. Claro que eu como cidadão brasileiro sou fruto desse meio e tenho refletido sobre tudo isso. Outra questão muito relevante, que se debate com muita frequência hoje no Brasil, é a questão racial. Porque durante muito tempo o Brasil interiorizou, na sua reflexão sobre o país, que era uma democracia racial, miscigenada, sem problemas... Mas isso não reflete a realidade. A escravidão criou um ranking de vida e valor que nunca foi desconstruído. Se se for aos presídios, se se olhar os piores índices de educação, aqueles que não têm casa, que não têm terra, são maioritariamente pessoas negras, indígenas. Isso mostra que a democracia racial é de facto um mito. E a sociedade tem debatido isso tudo. Acho absolutamente natural que nós que escrevemos, que trabalhamos com arte, seja na literatura, no cinema ou nas artes plásticas, que também reflitamos sobre esse tempo. Acho que essas narrativas, essa literatura que está sendo escrita no Brasil de hoje tem refletido sobre aquilo que é relevante para o nosso tempo. 

 

Salvar o Fogo aborda a questão dos abusos sexuais na Igreja Católica, um tema na ordem do dia em Portugal. No início do ano foram conhecidos os números da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica. Esse trabalho, que começou nos EUA e se estendeu a outros países, também está a ser feito no Brasil, o maior país católico do mundo?


Não está a ser feito de uma maneira sistematizada. Como aconteceu em Portugal ou nos EUA, que fez um levantamento muito grande. Mas cada vez mais os casos têm vindo à tona no Brasil. Em Salvar o Fogo, à medida que vamos conhecendo as personagens, vamos entendendo que a história da Igreja carrega outras nódoas, outras manchas. Se formos pensar na história da igreja Católica no Brasil, pouco se fala isso hoje, mas durante séculos, ela foi a maior detentora de escravizados do Brasil. Não existira escravidão se a Igreja desde o começo se tivesse colocado contra. Muito pelo contrário, ela apoiou e a escravidão só durou tanto tempo porque havia a cumplicidade da Igreja. 

 

Torto Arado virou canção no novo disco de Rubel. O que sentiu ao ouvi-la pela primeira vez?


Foi bem curioso. O Rubel leu Torto Arado há cerca de dois anos e ele me procurou. Mandou algo muito tímido, a letra e um solo gravado com violão só por ele. Perguntou-me se tinha gostado, disse que sim, e não nos falámos mais. Mais recentemente, quando ele lançou este álbum, ele fez uma coisa especial que me enviou. Ele convidou duas intérpretes para o tema, Liniker e Luedji Lunae. Quando o escutei pela primeira vez, senti ali a história, mas precisei escutar uma segunda vez, e na terceira vez já estava emocionado. Eu já conhecia aquela história, mas estava escutando como um ouvinte, como um espectador. 

Não pensei ainda quem pode cantar sobre Salvar o Fogo. Mas o Brasil é um celeiro de tantos artistas grandes. Acho que se for cantado em Portugal também não faz diferença, aqui há muitos intérpretes de que gostamos muito, vou acolher da mesma maneira.

 

Por curiosidade, o que é que o leitor português partilha consigo sobre a sua experiência de leitura de Torto Arado ou, agora, de Salvar o Fogo?


Desde o começo que eu fui muito bem acolhido pelos leitores portugueses. Tinha um certo receio porque, claro, quando tocamos em temas delicados... Bom, temos um passado em comum. Brasil e Portugal têm feridas que talvez não estejam saradas. E eu acho muito curioso porque o leitor português compreende perfeitamente, não teme ler essa história, quer conhecer. Quiçá para imaginar um lugar diferente, um futuro diferente em comum que nós possamos ter. A aceitação nunca foi diferente, sempre foi muito calorosa, muito carinhosa, muito boa. Eu guardo as melhores lembranças dos leitores portugueses.

 

Já está a trabalhar no próximo livro?


Honestamente, gostaria de estar já a escrever, mas mais uma vez fui atravessado por esta quantidade de eventos, de entrevistas. Em algum momento isso vai ficar mais calmo e aí eu retomo a minha rotina de escrita.

 

Será mais um romance, o fecho da trilogia?

Será um romance. Pode ser que seja esse, mas pode ser que seja outro. Ainda não sei para que caminho vou. Gostaria de fechar esse ciclo iniciado com Torto Arado, que agora ganha um outro capítulo com Salvar o Fogo, mas também há outras histórias urgentes que estão aqui a gritar para serem escritas. Acho que não vai levar muito tempo de uma história a outra.

 

O que está a ler neste momento?

Acabei agora um livro de Yasunari Kawabata, que se chama A Dançarina de Izu. Estive em abril no Japão para lançar a edição japonesa de Torto Arado e conheci um jornalista que me falou muito bem. Fiquei com esse livro na cabeça e quando voltei ao Brasil resolvi conhecer. Fiquei muito fascinado com essa história.

Terminei também de ler o livro de uma autora portuguesa, a Ana Bárbara Pedrosa. Já tinha lido os outros dois livros dela e gostei muito deste, que se chama Amor Estragado. É uma história que fala sobre violência doméstica numa família, personagens atravessados pela sua condição social, pelo alcoolismo. Fiquei muito impressionado, é uma narrativa interessantíssima, uma história muito empolgante, e que tem um teor de ironia que define muito a Ana Bárbara.

 

Por Rita Sousa Vieira

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