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O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC?
Até já tinha participado antes, sempre quis fazer parte da compilação dos NTF. Em primeiro lugar, tenho lançado música que acho que se pode considerar um novo talento; depois, queria alguma forma de reconhecimento da música que criei este ano.
O que sentiste quando anunciaram o teu nome?
Fiquei muito feliz. Soube um pouco com delay porque tinha um concerto nesse dia que fez com que não conseguisse estar presente. Mas fiquei muito feliz, adoro a canção que candidatei, a Shhinfrim, e é sempre bom receber este apoio da FNAC, uma casa que diz muito a muita gente, e a mim também. Foi uma validação da música que faço e, ao mesmo tempo, uma motivação para o futuro. É bom ter o reconhecimento de jurados que são pessoas extremamente talentosas e importantes na música nacional.
Shhinfrim é o tema de abertura do EP que lançaste em maio, Leve(mente). Porque é que enviaste esta canção e não outra?
Sendo mesmo sincera, queria mandar uma música que não fosse uma colaboração. Queria que fosse uma música a solo. Achei que a Shhinfrim era a indicada porque tem aquele contraste de sonoridades muito pop. Ao nível da produção, acho que é uma canção que se destaca pela fusão de sons, talvez seja mesmo a mais rica do meu EP. É uma canção atrevida, com um mood feliz e um refrão catchy. Achei que seria a indicada. Como foi a canção que também escolhi para abrir o EP, achei que seria uma música que caracteriza o meu lado mais pop, sem grandes medos de arriscar.
Há uma a história por trás de Shhinfrim?
É uma canção sobre um relacionamento que já terminou, mas do qual ainda há alguns resquícios. Fala sobre aquele período em que cada uma das pessoas está a ir para o seu lado. É uma canção de empoderamento pessoal e de autoconfiança e, ao mesmo tempo, um tema muito sincero e com algum humor — uma característica do meu songwritting.
Porquê INÊS APENAS, e em maiúsculas?
Tenho várias respostas para isso, podia estar aqui a dizer mil coisas, mas vou dar a verdadeira. Eu não queria nenhum dos meus apelidos, os mais banais de Portugal: Oliveira e Costa. Começou tudo só com INÊS, e é daí que vem a piada. Queria criar conta no Instagram, não dava para ser só INÊS e acabei por acrescentar o APENAS. E toda a gente começou a tratar-me dessa forma: INÊS APENAS. Ser em maiúsculas está relacionado com um lado mais visual, é mais impactante.
Estudaste piano clássico e canto jazz. Como é que essa formação influencia a pop que fazes?
Influencia bastante e isso sente-se na Shhinfrim. Aprendi bastante ao longo destes anos com os professores com quem me cruzei, que me diziam que quanto mais eu estudasse maior seria o leque de possibilidades do que poderia fazer. Acho que nunca vou conseguir fugir dessa influência clássica, que me faz explorar e experimentar novas sonoridades e melodias, mesmo na minha pop. A maior bênção de ter estudado, de ter uma componente teórica, é poder atirar-me para qualquer lado, com essas skills, e explorar o que eu quiser. O piano clássico deu-me esse apoio e muita estaleca.
Estás com o tempo contado, disseste que a seguir ias dar aulas. És professora de...
De piado, precisamente. Dou aulas a crianças, de piano clássico, ligeiro, jazz.
Como é a professora INÊS?
Acho que é aquela professora cool, que é exigente sem ser chata. Gosto de dar Mozarts, Beethovens e Chopins, mas depois também dou a liberdade para os alunos escolherem, por vezes até inventarem, peças ao piano. Acho que sou uma professora que transmite liberdade e que inspira os alunos a sonharem.
Como foi participar no Festival da Canção?
Foi uma valente loucurazinha. Tenho dito isto muitas vezes, mas é verdade. Foi provavelmente a vez em que estive mais nervosa na minha vida, e não costumo. Sempre lidei com muita pressão, mas o Festival é uma grande responsabilidade. Este tem sido um ano de muita aprendizagem e o Festival foi uma rampa de lançamento. A validação e o reconhecimento que tive deu-me motivação. Estou muito orgulhosa do tema que levei e ter chegado à final, para mim, foi o ponto alto da minha vida até agora. Com uma carreira muito curta, tendo começado há muito, muito pouco tempo, foi inspirador ter levado uma canção tão diferente e ela ter sido bem recebida pelo público. Mas deu muito trabalho, foram semanas de muito stress, mas que me deixaram muito orgulhosa de mim e da minha equipa.
Nessa “curta carreira” já escreveste um dos temas – Vou Tirar um Break – do mais recente longa-duração de Aurea (Moods). Como é que essa colaboração aconteceu?
O novo disco da Aurea é todo em português e eu fui chamada para uma sessão de songwriting. A Aurea viu-me no Festival, gostou... Estava à procura de novos artistas, não sei se foi ela ou e equipa, mas a verdade é que me chamaram para uma sessão nos Great Dane Studios. Foi uma experiência muito engraçada, escrever para outras pessoas é um grande desafio. É impossível não deixar o nosso cunho, e acho que isso se nota nessa canção. Foi um desafio enorme, para mim e para a Aurea. É preciso muita coragem para abrir as portas a outras pessoas que vão interferir na nossa música. Neste caso uma pessoa mais nova, com muito menos experiência... É uma amizade que fica.
Quais são as tuas referências?
Eu oiço muita música, de muitos estilos diferentes. Não sei quantos nomes posso dar... Vou dizer a Maro, que me inspira bastante desde o início da sua carreira. Depois, há vários artistas que oiço, e oiço muita música portuguesa. Euclides, ProfJam, Plutónio, Gisela João, a Milhanas... Internacional, oiço muito Ariana Grande, Sam Smith, Rosalía, Drake; muita coisa brasileira, desde a bossa nova ao funk. Acho que essa mistura toda, diferentes estilos e maneiras de encarar a música e a indústria, influenciam-me de forma mais ou menos inconsciente.
Que outros projetos tens para o futuro, podes contar algum?
Irei lançar um álbum, isso é certo, quando já não sei. Posso dizer que vou lançar umas músicas muito especiais, provavelmente colaborações, muito bonitas.
Conta-nos uma coisa que mais ninguém saiba.
O meu quarto na casa dos meus pais nunca mudou. A decoração nunca mudou desde que existo, as pessoas entram e acham que é de alguém de 10 anos. Foi interessante? Tenho outra coisa. Não sei estabelecer relações com animais. Só tive um peixe na minha vida, que por acaso é o meu signo. Como lhe dei demasiada comida, matei-o. A partir daí nunca mais consegui ter um animal de estimação. É uma coisa que me marcou mesmo, tive de levar o tema à minha psicóloga.
Onde podemos seguir o teu trabalho?
Costumo divulgar tudo pelo Instagram (@ines___apenas), mas a minha música está disponível em todas as plataformas digitais (Apple Music, Spotify e YouTube). Também tenho Tik Tok (@ines___apenas), mas não uso mesmo.
Vê AQUI o trabalho vencedor e as duas menções honrosas na categoria de Música dos Novos Talentos FNAC 2023.