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CAROLINA MENDES EM ENTREVISTA
ENTREVISTA A CAROLINA MENDES - MENÇÃO HONROSA NTF 2023 - ESCRITAENTREVISTA A CAROLINA MENDES - MENÇÃO HONROSA NTF 2023 - ESCRITA

"Este texto foi escrito a pensar na minha avó Dulce e no meu avô Mário”



Carolina Mendes, menção honrosa na categoria de Escrita dos Novos Talentos FNAC 2023, conta como A Cuidadora tem elementos autobiográficos. Dividida entre as palavras e as pinceladas, a jovem de Braga só abre um documento Word com a primeira frase já pensada.

 


O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC?


A possibilidade de partilhar coisas que escrevo e que às vezes ficam paradas em documentos Word durante muito tempo.

 

O que sentiste quando anunciaram o teu nome e percebeste que tinhas vencido uma menção honrosa? 


Algum embaraço, para dizer a verdade. Fiquei muito agradecida e lisonjeada, no entanto. Acho que estas situações são sempre complicadas para a timidez.

 

Do que fala A Cuidadora?


A Cuidadora fala de uma casa, das coisas dessa casa — das térmitas, dos tupperwares sem tampa —, e talvez por falar de tudo isso, fala também sobre as pessoas que lá vivem e dessa ruína gradual do uso e do quotidiano.

 

Quando é que a começaste a escrever? 


Não me lembro, para ser sincera. Esta história é daquelas a que ia voltando. Lembro-me de quando a terminei, que foi algum tempo depois da passagem de ano.

 

Há algo de autobiográfico neste texto?


Há, sim. Este texto foi escrito a pensar na minha avó Dulce e no meu avô Mário. Sempre passei muito tempo na casa deles, na Guarda, a aprender sobre coisas da aldeia, sobre como reparar e cuidar delas, sobre histórias de famílias que não conheci, sobre tudo isso, que me interessava de uma forma estranha e ainda hoje me influencia muito.

 

Este é o teu primeiro trabalho ou tens já algo publicado? 


Em 2021 ganhei o prémio literário José Luís Peixoto, com Fogo Posto; entretanto tenho continuado a escrever, mas ainda não publiquei nada a título pessoal fora desse âmbito.

 

Como foi receber esse prémio? Onde o podemos Fogo Posto, já foi publicado? 


Fiquei muito agradecida, claro. A publicação penso que irá surgir no final deste ano, como uma antologia de várias edições do prémio, pelo que ainda não está disponível. 

 

Quem são as tuas referências e de que forma te influenciam? 


Gosto muito de autores russos das ditas era dourada ou de prata, como o Gogol ou o Tchekhov, e dos seus contos que comecei a ler na adolescência com grande admiração - quer pela sátira, quer pelo misticismo. Também de Saramago, que é uma grande referência e que eu considero ser autor de livros que me parecem ter aparecido assim, já escritos, de tão naturais e imprescindíveis que são.

 

Gostavas de fazer carreira na área da escrita ou encaras isto como um hobby? 


Não me levo muito a sério na escrita, acho que é um mecanismo de defesa. Envolvo-me mais na pintura e dedico-lhe mais tempo, por norma; à exceção de quando estou embrenhada em terminar ou tentar começar uma história. Noutras alturas, faço por não perder demasiado a mão da escrita.

 

Fala-nos um pouco mais do teu trabalho em pintura...


Gosto de trabalhar com matérias inusitadas (terra, confetes de açúcar, resina, sabonetes, ceras, areia, o que estiver à mão) e de criar imagens com elas. Costumo usar símbolos ou grafismos de certa forma como um dicionário.

 

Como é que a pintura inspira a escrita, ou vice-versa? 


Penso que na maior parte das vezes se bloqueiam - não que as veja como antagónicas, mas porque quando faço uma, não faço a outra. No entanto, já aconteceu começar ou desatar histórias por causa de imagens. E sinto que as faço [pintura e escrita] de jeito muito semelhante.

 

Sobre começar uma história... Tens o chamado medo da página em branco? 


Só costumo abrir o documento Word com a primeira frase pensada, para não ficar demasiado tempo a olhar para o ecrã, a rejeitar todas as opções que me venham à cabeça. Na pintura, tendo a começar por cobrir a tela (de cor/matéria); na escrita, vou escrevendo sem demasiada censura e depois revejo e faço cortes ou remendos — mas essencialmente cortes.

 

Que outros projetos tens, podes contar algum? 


De momento, julgo não poder chamar-lhe um projeto. É mais uma vontade. A de ir escrevendo e pintando e ver como as coisas vão seguindo.

 

Conta-nos uma coisa que mais ninguém saiba.


Acho que foi o filme A Fuga das Galinhas (o primeiro que vi no cinema) que me tornou vegetariana.

 

Onde podemos seguir o teu trabalho? 


Tenho uma página no Behance onde partilho pinturas, esculturas ou desenhos, e onde planeio ir publicando algumas coisas que tenho ou vou escrevendo também.

 

Vê AQUI o trabalho vencedor e as duas menções honrosas na categoria de Escrita dos Novos Talentos FNAC 2023.

ENTREVISTA A CAROLINA MENDES - MENÇÃO HONROSA NTF 2023 - ESCRITA
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