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Tens uma ligação especial com Portugal e num dos últimos concertos disseste que o teu “coração está em Lisboa”. Como é que te sentes a esgotar concerto atrás de concerto no nosso país?
É muito giro. Como expliquei nesse espetáculo, a altura em que aqui vivi e estudei foi aquela em que a minha família estava realmente unida. Foi a única altura em que fomos verdadeiramente uma família. Depois disso, as coisas desmoronaram. Por isso, tenho essa ligação sentimental. E claro, o público português sempre foi muito simpático comigo.
Disponível pela primeira vez em vinil, e em edição limitada, Bryan Adams - Live in Lisbon é um presente para os fãs portugueses?
Posso dizer que sim, mas também posso dizer que é um presente para mim, porque nunca tinha sido editado em vinil antes.
Esse concerto no Pavilhão Atlântico, em 2005, tinha apenas sido editado em DVD.
Sim, por isso achei que era divertido editá-lo em vinil, para assinalar mais uma digressão por Portugal.
São muitos os concertos ao longo das últimas décadas. Notas diferenças no público português?
Nunca... Sempre me recebeu muito bem.
E há alguma música que não pode faltar no alinhamento dos concertos por cá?
Nenhuma em especial, têm de estar todas.
Se pudesses colaborar com algum artista português, vivo ou morto, com quem seria?
Hum, não sei. Nunca pensei nisso. Não costumo pensar em colaborações. Se surgir algo interessante... As colaborações muitas vezes dependem mais da música do que do artista.
Mas há algum artista português que oiças?
Não. Na verdade, não costumo ouvir muito mais do que aquilo que ouço no rádio do carro. Quando estou em silêncio, estou mesmo em silêncio.
Além de Live in Lisbon, foi recentemente editado Live At The Royal Albert Hall 2024.
O que te fez lançar estes espetáculos nesta box set?
Três noites, três álbuns. Só podia ser uma box set, não era possível editar tudo num disco.
Consegues eleger um momento, da série de noites nesta histórica sala inglesa?
Cada noite foi diferente, mas talvez escolha quando toquei a You Lift Me Up [do disco So Happy It Hurts], na terceira noite. Convidei um coro para cantar comigo, adorei.
O Royal Albert Hall é uma sala especial?
Acho que eles devem ter-se inspirado naquele edifício do Coliseu Romano. Porque é um dos poucos espaços perfeitamente circulares no mundo. Talvez mais oval... Mas a energia lá dentro é incrível, é mesmo um lugar muito divertido onde se tocar.
Na era do streaming, achas que os álbuns ao vivo ainda têm o mesmo impacto que tinham antes?
Não sei se podemos generalizar dessa forma. Acho que depende da base de fãs de uma pessoa e de quão popular ela é em determinado momento. Tenho a certeza de que o álbum ao vivo da Taylor Swift será um grande sucesso.
Estás em digressão há décadas. Qual é o segredo?
A comunicação, falar com todos e para todos. Acho que esse é o segredo, ou pelo menos é esse o meu segredo.
Estamos na FNAC, onde vais assinar algumas dezenas de álbuns. Do que é que gostas mais nestes momentos de partilha com os teus fãs?
Bem, dá para ter uma ideia de quem eles são, mas também sinto isso nos meus concertos. Tenho a certeza de que as pessoas aqui hoje serão os super fãs.
Estas perguntas foram para o Bryan, o músico; as próximas são para o fotógrafo. Qual é o aspeto mais desafiante de ser tanto músico como fotógrafo?
Bem, o princípio é o mesmo: criar algo a partir do nada. Às vezes acertas, outras vezes não.
Podes partilhar uma história de uma das tuas sessões fotográficas?
Bem, são tantas.
Com a Rainha Isabel II, por exemplo.
Não tive muito tempo. Só tinha cinco minutos com ela. Disseram-me que só podia estar cinco minutos. Acabou por ser muito mais tempo, porque ela queria conversar. Portanto, foi uma experiência muito boa.
A fotografia já te ensinou ou ajudou como músico? Ou vice-versa?
Sim, diria que sim. Porque se trabalhas como artista visual, então há muito mais naquilo que fazes na tua música. Consegues ligar os pontos e criar algo que funcione visualmente, que represente aquilo que fazes. Comecei a minha própria editora: chama-se Bad Records. “Bad” de “B. Adams”. É uma alcunha que vinha da escola, porque eu era sempre B. Adams. Juntas os dois e ficas com “bad” [“mau”], dás-lhe “bad” como alcunha. Um nome "bad" em todos os sentidos. Então, a Bad Music e a Bad Records são, na verdade, um novo sonho para mim, para poder criar e ajudar com o aspeto visual do que estamos a fazer. Portanto, estou envolvido em todos os aspetos. Sempre estive, mas agora ainda mais. E todos os meus álbuns têm esse tipo de design à volta da capa.
O que vem a seguir, podes revelar algo?
Sim, tenho um novo álbum. Chama-se Roll With The Punches e vai sair no próximo ano. Acho que vou lançar a primeira música já em janeiro. E também tenho uma versão completamente nova de It's Only Love, o meu dueto com a Tina Turner. Encontrei uma gravação só da voz dela e gravei uma nova versão da música, de nós a cantarmos juntos.
Quando vai ser lançada?
Vai sair no Record Store Day.
Termino sempre estas conversas com a mesma pergunta: o que estás a ouvir neste momento?
Estou a ouvir-te... Como disse, a única coisa que ouço é o rádio do carro.
Por Rita Sousa Vieira