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O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC?
Não foi a primeira vez que participei; já o tinha feito, de certa forma, o ano passado com o jogo Time Will Tell. Esse jogo também foi desenvolvido por mim, mas a candidatura foi feita pelo Afonso Lage. Este ano voltámos a participar com o Xisto, mas a candidatura seguiu em meu nome. Trocámos.
Dizes “voltámos” porque são uma equipa, é isso?
Somos uma equipa de quatro pessoas. O ano passado o Afonso Lage, o nosso game designer, candidatou-se e vencemos; este ano candidatei-me eu. Somos todos de departamentos diferentes e foi por isso que formámos a equipa no curso. Eu sou o programador, o Miguel Martinho é o artista e o Nélson Milheiro o sound designer.
Estamos a falar da Iniciados Games?
Sim, fundámos a Iniciados Games em 2019 quando começámos a tirar a licenciatura em videojogos na Universidade Lusófona. Já fizemos vários jogos, entre projetos de seis meses a um ano. Também já fomos a alguns eventos, como a Lisboa Games Week ou a Game Dev Lisbon.
Esta menção honrosa não é única distinção do Xisto, já recebeu outros prémios.
Já. Recebeu o prémio de Melhor Jogo de Estudantes nos Spotlight Awards 2022, da Game Dev Lisbon, e sete menções, entre elas Melhor Jogo do Ano, num evento académico da Lusófona que compara todos os jogos desenvolvidos nesse ano.
Qual foi a vossa reação quando anunciaram que o jogo tinha ganho uma menção honrosa nos NFT?
Foi estranho. Estava lá toda a equipa menos eu, que assinei a candidatura. Subiram todos ao palco em meu nome.
O que sentiste, à distância?
Estava sempre a pedir ao Afonso para me dar updates do que estava a acontecer. Havia cinco finalistas, podíamos nem sequer estar no leque dos três que recebem uma distinção.
Qual é a história do Xisto?
O Xisto inspira-se na Corrida do Entrudo, o Carnaval que se celebra nas Aldeias do Xisto de Góis, na Lousã. É um jogo cultural e de exploração, em que se aprende um pouco sobre esta tradição já quase esquecida. É um Carnaval desconhecido, não se ouve falar como acontece com o Carnaval de Torres Vedras. Achámos engraçado fazer um jogo sobre esta tradição onde são usadas máscaras de cortiça. O jogador pode fazer a sua própria máscara e interagir com os outros jogadores.
Têm algum tipo de ligação a Góis?
Não, somos todos de Lisboa. Quando começámos a fazer o jogo pesquisámos bastante, mas isso não chegou. Como queríamos fazer a coisa certa, a Universidade patrocinou uma viagem à Lousã para conhecer as Aldeias do Xisto. Fomos um fim de semana, numa carrinha da Lusófona, com portagens e gasóleo pago, e ficámos numa casa na Aldeia da Pena durante três dias. Explorámos todas as aldeias, tirámos fotos e documentámos tudo.
Isso foi durante o Carnaval?
Não, infelizmente.
Como era a reação das pessoas quando diziam que estavam numa espécie de trabalho de campo para desenvolver um videojogo?
As aldeias estão um bocado envelhecidas... As pessoas tinham muita curiosidade, queriam saber mais detalhes do jogo.
Já pensaram fazer algum evento de apresentação do jogo por lá?
Já contactámos a Câmara de Coimbra, mas ainda não surgiu uma oportunidade.
Quando é que começaram a trabalhar no Xisto?
Começámos em setembro de 2021 e acabámos a meio de 2022, quando fomos à Lisboa Games Week. Para concorrer aos Novos Talentos FNAC enviámos uma versão com algumas alterações e detalhes melhorados.
Quem é o jogador alvo do Xisto?
São jogadores mais adultos, que gostam de jogos casuais e de alguma nostalgia.
Quais são os próximos passos, quando é que chegará ao mercado?
Neste momento, o jogo está um pouco parado. Queremos voltar à Lisboa Games Week com ele e até lá vamos perceber o que podemos melhorar, não queremos voltar a mostrar a mesma coisa que levámos o ano passado. Já não está igual, obviamente, mas queremos fazer algumas alterações. Não vou dizer o quê, mas vamos mudar algumas coisas.
É fácil singrar na área dos videojogos em Portugal?
Entrar é fácil, pelo menos estudar... Já há vários cursos, na Lusófona, em Leiria, já temos várias opções em Portugal. Há 20 anos não havia nenhuma. E para trabalhar... Já existem várias empresas em Portugal, também. Mesmo que não se arranje trabalho por cá, dá para ir para fora.
Quem são as vossas referências?
O A Short Hike foi uma referência, sobretudo visual, do Xisto. A nível artístico temos outras, como o Animal Crossing, Zelda... O nosso curso também está cheio de profissionais da indústria, e é sempre bom ter esse apoio. Eles sabem o que fazer e não fazer, ajuda bastante ter alguém a dizer: 'não façam isso no jogo'.
Que outros projetos têm para o futuro, podes contar algum?
Não temos nada, até porque a equipa da Iniciado Games foi fundada para a licenciatura. O Xisto é o nosso último projeto. Agora estamos todos à procura de trabalho.
Conta-nos uma coisa que mais ninguém saiba.
O modo zombies do Call of Duty: Black Ops (2010), o primeiro jogo que comprei da série, metia medo e não conseguia jogar o modo sozinho.
Onde podemos seguir o vosso trabalho?
No nosso site do Xisto.
Vê AQUI o trabalho vencedor e as duas menções honrosas na categoria de Videojogos dos Novos Talentos FNAC 2023.