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Imagine-se a voltar atrás no tempo… a um tempo pesado, difícil, em que as consultas com o médico eram privilégio apenas de alguns…
Imagine os acessos às povoações, nesse mesmo tempo, em que não havia estradas alcatroadas e os caminhos não passavam de carreiros de cabras e cavalos, ou de estreitas passagens para carros de bois, por vezes, sinuosos e irregulares, ladeados por alta vegetação…
Imagine-se num meio isolado, sem recursos nem dinheiro e em que tratar das maleitas se baseava no uso de mezinhas, nomeadamente chás, rezas estranhas e benzeduras por pessoas com certos dons, mas encaradas por muitos com desconfiança e apelidadas de bruxas e feiticeiras, curandeiros que erguiam a “espinhela caída”, limpavam a pele da maleita do sarampo e com celebrações esquisitas, cortavam o mau olhado e aliviavam as dores de cabeça, rezando ao quebranto…
Imagine que o seu ortopedista era o “endireita” da sua aldeia ou da povoação vizinha, a quem muitos chamavam de “quebra ossos”, um indivíduo sem quaisquer estudos, mas que conhecia todos os ossinhos do corpo e tateando aqui e ali, com um puxão mais ou menos forte, lhe conseguia tratar da entorse, colocando tudo no devido lugar…
Imagine-se a sanar as feridas com pastas feitas à base de plantas e ervas comuns, tantas vezes existentes à beira dos caminhos e até nos nossos jardins, mas para nós totalmente desconhecidas…
Imagine-se a aquietar o coração e o espírito com ladainhas, padres-nossos e benzeduras…
Foi sobre estes e outros temas que Celeste Almeida se debruçou durante alguns anos, pesquisando, perguntando e escutando pessoas da ruralidade (nomeadamente os mais velhos), para trazer até nós esta magnífica obra, de modo a preservar maneiras de ser e de fazer ancestrais, para que não se percam no tempo. Um legado importante para memória futura…
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