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Um disco raramente conta a história toda. Um ano depois da edição de 2025 dos Novos Talentos FNAC, os 30 artistas que passaram pela coletânea já começaram a escrever o capítulo seguinte: há discos de estreia, novos EPs, mixtapes e singles que mostram como estes projetos evoluíram depois da primeira montra.
O QUE VAIS LER:
Vários artistas avançaram para álbuns de estreia e novos formatos mais longos.
A edição de 2025 cruzou pop, eletrónica, rap, jazz, tradição e experimentação.
Um ano depois, quase todos os projetos já acrescentaram novos capítulos ao percurso iniciado na coletânea.

“Se chegaram até aqui, o objetivo está em parte cumprido.” Foi assim que Henrique Amaro apresentou a edição de 2025 da Novos Talentos FNAC no texto que acompanha a coletânea. A frase parece simples, mas resume bem o papel que este disco continua a ter quase duas décadas depois da primeira edição: criar um primeiro contacto entre artistas emergentes e público, num momento em que muitos ainda estão a dar os primeiros passos fora do circuito mais próximo.
No mesmo texto, Henrique Amaro escrevia que “todos os músicos emergentes enfrentam uma série de desafios que estão além da criação musical” e que, atualmente, esses desafios passam por “autopromoção, sustentabilidade financeira e a natural avaliação pública”. Acrescentava ainda outro ponto que atravessa vários dos projetos desta edição: “a saúde mental, que durante anos foi descartada do ato criativo, hoje é incontornável num processo autoral.”
Olhando para o que estes artistas lançaram entretanto, percebe-se que esse diagnóstico não era exagerado. Muitas das músicas presentes na compilação acabaram por ser portas de entrada para projetos mais completos.

O que veio a seguir: mais música
Inês Sousa editou Mikado, o primeiro álbum em nome próprio, depois de anos a trabalhar com outros projetos (Julie & The Carjackers, as bandas de Afonso Cabral e Tipo). Nayr Faquirá regressou com “Púrpura”, tema que assinala a versão deluxe de Entrelinhas, o seu álbum de estreia. Já Lisa Sereno apresentou Belonging, um disco centrado em pertença, perda e reencontro, enquanto Rita Cortezão editou tudo, um pouco, um álbum construído entre piano, voz e eletrónica.
Noutros casos, o caminho passou por expandir universos que já estavam presentes nas músicas escolhidas para a coletânea. Romeu Bairos continuou a desenvolver Romê das Fürnas, aprofundando a ligação entre tradição açoriana e composição contemporânea. Líquen regressou com Aurora, uma nova música que cruza eletrónica e cancioneiro popular português, incluindo referências à Brigada Victor Jara. Os Fidju Kitxora editaram Ti Manxe, um trabalho construído a partir de histórias ligadas a Cabo Verde e à diáspora, enquanto Alcabala lançou Dinossauro Azul, aprofundando o universo apresentado em Encarar o Vendaval.
Na eletrónica, na pop alternativa e no rap, o ritmo também continuou acelerado. IBSXJAUR lançaram Sanity, um disco centrado em ansiedade, saúde mental e pressão social. Must Be Blue mantiveram a produção de novos singles e continuaram a desenvolver a sua linguagem minimal wave.
Vencedores da categoria de música dos Novos Talentos FNAC em 2025, os Bad Tomato regressaram com BITE, um novo EP que aprofunda a identidade da banda e marca uma mudança em relação à energia mais imediata de BARK, o trabalho de estreia. Se o primeiro lançamento apresentava o trio numa chave mais crua e dançável, o novo registo mostra um lado mais introspetivo e experimental, sem perder a urgência.
HERLANDER lançou a mixtape CÁRIE, cruzando pop, experimentalismo e ritmos ligados às suas referências musicais. LIBRA regressou com No One Will Save You, tema escrito em parceria com a rapper brasileira Clara Lima, onde aborda resistência emocional, autonomia e vulnerabilidade feminina, depois da edição do álbum de estreia Everyone’s First Breath.
thispage também ganhou um desvio paralelo: Leonardo Pinto lançou Olha, também sabes acompanhar a Amália!, um EP em nome próprio gravado na casa da avó, após a passagem da tempestade Kristin por Pombal, onde cruza rock experimental, gravações de campo e memórias familiares.
O capítulo seguinte já começou
No final do texto da coletânea, Henrique Amaro deixava um apelo: “Se é para nós que eles trabalham, então seremos a rede que os escuta e suporta.”
Quase um ano depois, percebe-se que muitos destes artistas não ficaram presos ao impulso inicial da compilação. Lançaram discos, testaram formatos diferentes, ampliaram repertório e mantiveram os projetos em movimento num contexto que continua longe de ser simples ou fácil.
Para uma coletânea pensada para apresentar novos nomes, esse continua a ser um sinal relevante: há vida para lá da faixa escolhida. Em 2026 há mais!