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De Lídia Jorge a David Úcles — os lançamentos e livros em pré-venda
As últimas novidades literárias e os títulos já em pré-venda. Estas são as nossas sugestões quinzenais Para Ler.
Uma Longa Viagem com Lídia Jorge

Depois das viagens com José Saramago e António Lobo Antunes, João Céu e Silva regressa ao formato da conversa longa, agora com Lídia Jorge, que descreve como “a escritora viva mais importante da literatura portuguesa”. O livro nasceu de mais de duas dezenas de entrevistas à autora de O Dia dos Prodígios (1980), A Costa dos Murmúrios (1988), Os Memoráveis (2014) e Misericórdia (2022), romance distinguido com sete prémios, entre eles o Prix Médicis Étranger 2023, atribuído pela primeira vez a uma autora de língua portuguesa. Além de explicar como surgem as suas histórias e como se dá a construção dos seus livros e personagens, a vencedora do Prémio Pessoa 2025 deixa a sua opinião sobre vários escritores, daqueles de quem se esperava muito e dos que acabaram esquecidos; de como a mulher/escritora se deveria comportar e das rivalidades entre autores, deixando um retrato muito lúcido e profundo do último meio século. Já disponível.

Há pessoas a serem perseguidas nas ruas pelas mais variadas razões. “Uma conspiração? Ou apenas o ar do tempo?” Em Olga Salva o Mundo, de Rui Zink, acompanhamos a inspetora Judite Furriel na investigação a episódios de violência que parecem obedecer a uma narrativa invisível infiltrada no quotidiano. Quando “pessoas comuns transformam-se em juízes improvisados”, o romance interroga o contágio do medo, a fragilidade da razão e a tentação da justiça popular, numa crítica mordaz à desinformação contemporânea. Já disponível.

Há livros que existem apenas como hipótese, e é esse território que Os Livros Que Não Escrevi percorre. “Nesta obra original e audaciosa, George Steiner revela o segredo de sete livros que não escreveu – porque as indiscrições eram excessivamente intimidantes, porque o tema provocava demasiada dor, porque o desafio emocional e intelectual se revelava superior às suas capacidades”, antecipa a sinopse. Dos tabus do sionismo à “teologia do vazio”, atravessam-se temas que desafiam convenções e expõem limites pessoais. “Por detrás de cada bom livro encontra-se o livro que ficou por escrever.” Disponível a partir de 10 de março.
Vencedor, por unanimidade, do Prémio de Poesia Nuno Júdice (2025), Entra-se na Casa Pelo Pátio, de Carla Louro, afirma-se como um livro íntimo, feminino e muito emotivo, embora nunca sentimental. A maternidade, o luto e o espaço doméstico — “o refúgio da cozinha como lugar de intimidade e criação” — estruturam uma poesia clara, mas não simplista, de extraordinária contenção. Entre a construção da casa e a construção do poema, este livro de estreia é também uma reflexão sobre a escrita em si mesma. Disponível a partir de 10 de março.

Em A Mulher por Detrás da Parede, Filipa Fonseca Silva regressa com “um romance intenso e brilhante sobre as mentiras em que acreditamos quando amamos e do que abdicamos por amor”. Durante quinze anos, Estefânia vive um amor clandestino com um homem casado, “onde uma parede móvel separa o desejo da mentira”, reduzida ao “lugar invisível da amante”. Inspirado em factos reais, o livro propõe “uma dissecação literária da culpa, do autoengano e das múltiplas formas de submissão feminina”, confirmando a autora como uma das vozes mais consistentes da ficção contemporânea portuguesa. Disponível a partir de 16 de março (lê aqui um excerto).

Dois anos após a publicação, mantém-se como um dos romances mais importantes sobre a Guerra Civil de Espanha, com mais de 300 mil exemplares vendidos e distinções como as bolsas Leonardo e Montserrat Roig. Em A Península das Casas Vazias, de David Úcles, lemos “a história da decomposição total de uma família, da desumanização de um povo, da desintegração de um território e de uma península de casas vazias”. Narrado em tom de realismo mágico, o livro cruza destinos anónimos com figuras como Federico García Lorca e Pablo Picasso, compondo uma vasta e delirante tapeçaria literária sobre uma Ibéria em ruína. Disponível a partir de 24 de março.