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Bráulio Amado, o nome português na capa de Harry Styles
NEWSLETTER 62 - 7 FEV 2026 - 2 - ARTIGO - BRÁULIO AMADONEWSLETTER 62 - 7 FEV 2026 - 2 - ARTIGO - BRÁULIO AMADO

Quem é o designer português que assina capas para Harry Styles e Mac Miller?

 


Quando o novo álbum de Harry Styles chegar às lojas e às plataformas digitais, a 6 de março, a imagem que o apresenta ao mundo terá assinatura portuguesa. A capa de Kiss All The Time, Disco Occasionally foi desenhada por Bráulio Amado, designer e ilustrador nascido em Almada, hoje radicado em Nova Iorque, que há muito deixou de ser um segredo bem guardado da cultura visual para passar a circular entre alguns dos maiores nomes da música contemporânea.

 



Bráulio Amado nasceu em 1987 e cedo começou a desenhar, muito antes de imaginar isso como carreira. Em entrevistas, conta que tentou desenhar, tentou graffiti, falhou em quase tudo — até que os pais lhe deram um computador. Tinha 13 anos quando começou a criar fan sites para bandas de que gostava, a experimentar Photoshop e Dreamweaver “sem saber o que era design”, como explicou ao The Creative Independent. Só mais tarde percebeu que aquele entusiasmo tinha nome.

 

A música esteve sempre por perto. “Desde os 16 anos que faço capas para bandas”, disse ao Rimas e Batidas. Não como estratégia, mas como extensão natural de quem cresceu entre concertos, fanzines e a cultura punk e hardcore da Margem Sul, onde tocava em bandas, fazia flyers, posters, websites e capas ligadas a esse universo. “Tem sido sempre por amor à camisola”, acrescentou, “e pelo meu amor à música e a todo o mundo visual que faz parte dela”.

 

Depois de concluir o curso de Design Gráfico no Ar.Co, em Lisboa, Bráulio Amado mudou-se para Nova Iorque aos 22 anos. O ano era o de 2011. A chegada à cidade coincidiu com o início do seu percurso na Pentagram, uma das maiores empresas de design do mundo. “Na Pentagram, tinha um trabalho como deve ser”, recordou numa entrevista à Visão. “Podia ser monótono, impor muita pressão e uma competição saudável, mas era sempre muito exigente. Tudo tinha de ser sempre um trabalho muito bem feito.”

 

Seguiram-se três anos e meio na Bloomberg Businessweek, onde trabalhou como diretor de arte e ilustrador. Foi uma experiência intensa, marcada pelo ritmo semanal e pela experimentação constante. “É desgastante estar fechado numa redação…”, contou também à Visão, acrescentando que, apesar disso, “adorava aquilo” e que foi precisamente essa combinação de conforto e liberdade que o levou a sair. Mais tarde, passaria ainda por uma agência de publicidade, antes de decidir trabalhar por conta própria.

 

Hoje, trabalha a partir de um pequeno estúdio, cheio de posters, provas e restos de projetos, descrito pela This Is UTIL como um espaço mais vivido do que arrumado. Na maior parte dos dias trabalha sozinho.

 

Capas, posters e liberdade

Ao longo da última década, o nome de Bráulio Amado começou a aparecer com regularidade nos créditos de capas de discos e singles, mas também de posters. Já trabalhou com artistas como Frank Ocean, André 3000, Beck, Róisín Murphy, Xinobi, D’Alva ou Moullinex, entre outros.

 

Olhando para trás, reconhece que o “puto de Almada”, fascinado pela cultura punk e hardcore, nunca imaginou “que poderia vir a pagar as contas fazendo capas para discos”, como disse, em 2019, à VISÃO.

 

Para o designer português, a música continua a ser um espaço de maior liberdade criativa. “Trabalhar com músicos costuma significar menos regras”, explicou na já mencionada entrevista à This Is UTIL, acrescentando que aceita projetos mesmo quando não há orçamento, desde que “a energia seja a certa”.

 

Essa lógica aplica-se tanto a projetos independentes como a colaborações de maior escala. “Comecei pelo punk rock e coisas independentes, é o que eu mais gosto de fazer”, disse ao PÚBLICO, explicando que tenta ir alternando entre trabalhos maiores e mais pequenos.

 

 

O momento de maior visibilidade chega com um desses trabalhos ‘grandes’: a capa de Balloonerism, álbum póstumo de Mac Miller, gravado em 2014 e editado em janeiro de 2025. Bráulio Amado assinou a direção de arte do disco em parceria com o artista norte-americano Alim Smith, trabalho que lhes valeu uma nomeação para o Grammy de Best Recording Package, categoria que distingue o especto visual dos discos, da capa ao grafismo.

 

O projeto tinha um peso especial. “Eu esforço-me em todas as capas, mas para esta foi esforço a dobrar”, explicou ao PÚBLICO. O convite partiu do irmão de Mac Miller, falecido em 2018, que garantiu ao designer português que “com certeza, o Mac ia adorar” o trabalho.

 

Quando o assunto é reconhecimento, Bráulio Amado prefere recentrar a conversa no trabalho — ou em quem faz a música. “O reconhecimento é bom, mas não é o que eu procuro”, disse ao PÚBLICO. “Não é sobre mim, é sobre os músicos, eu gosto disso.” Entre capas, posters, ilustração editorial e projetos paralelos, continua a trabalhar com a mesma lógica que o levou a começar: curiosidade, liberdade e uma ligação direta à música.

 

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