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RODRIGO SOARES TEIXEIRA EM ENTREVISTA
ENTREVISTA- NTF 2026- CINEMA- Rodrigo Soares TeixeiraENTREVISTA- NTF 2026- CINEMA- Rodrigo Soares Teixeira

“Nada substitui a experiência de ver um filme em sala” 


 

Rodrigo Soares Teixeira trocou a Medicina pelo cinema e encontrou em Sono Solto a forma de filmar que procura seguir. A primeira curta-metragem em contexto profissional valeu-lhe uma Menção Honrosa na categoria de Cinema dos Novos Talentos FNAC 2026. 

 


O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC? 

 

Conheço o concurso desde a adolescência, na altura por causa das compilações de música. Mais recentemente, durante o processo de fazer este filme, soube que existia uma vertente de cinema. Decidi concorrer pela história da iniciativa, por ter um prémio que valoriza efetivamente os projetos distinguidos e pela possibilidade de fazer chegar o meu trabalho a mais pessoas. 

 

Já te tinhas candidatado a edições anteriores? 

 

Não. 

 

O que representa ser um Novo Talento FNAC? 

 

É um reconhecimento importante, e dá-me alento para continuar. 

 

Que conselho darias a quem está a pensar candidatar-se numa próxima edição? 

 

Que não permitam que a perspetiva de concorrer influencie o vosso projeto. A partir daí, que procurem defender bem a candidatura, sabendo sempre que estará nas mãos e na subjetividade de cada júri a decisão. 

 

Porque é que decidiste concorrer com este projeto? 

 
É um primeiro trabalho e tem menos de dez minutos… Decidi experimentar. 

 

Sendo a tua primeira curta-metragem em contexto profissional, de que forma Sono Solto representa a fase em que te encontras enquanto realizador? 

 

É uma curta-metragem moldada pela filosofia da Elías Querejeta Zine Eskola, em San Sebastian, onde estudei e onde o projeto nasceu, e que vai muito ao encontro da forma como tenho preferido trabalhar. Filmar pouco a pouco, sozinho ou com a ajuda de muito poucas pessoas; permitir que as novas imagens e sons surjam a seu tempo e se vão ligando, ou dando novos sentidos, às anteriores. Foi um trabalho assente na procura e construção de imagens e sons, com uma ideia de onde queria chegar, mas sem nada que se parecesse com um guião. 

 

Dito isto, terminei agora a rodagem de um novo projeto, que acabou por precisar de um modelo de produção mais convencional, ainda que tenha sido feito com uma equipa pequena. Mas acredito que será daquela forma que continuarei a preferir trabalhar, nunca deixando de tentar experimentar coisas novas em cada projeto, incluindo na abordagem à produção, que é decisiva para o resultado. 

 

Depois de um percurso ligado à Medicina e à investigação científica, o que te levou a trocar a descoberta do mundo através da ciência pela descoberta através do cinema? 
 

A minha paixão sempre foi, verdadeiramente, pela segunda, mesmo no tempo em que não a punha em prática. Foi um processo de mudança complexo, porque nunca me achei capaz de conciliar as duas coisas. Mas não deixei de me interessar pela ciência. 

 

Trabalhaste em áreas tão distintas como a produção, assistência de realização, anotação e pesquisa documental. Como é que essa experiência nos bastidores influenciou o realizador que és hoje? 

 

Pode aprender-se muito ao ver outros trabalhar, realizadores e não só; nas virtudes, como nos erros. Mesmo que haja projetos de que pouco mais se consiga retirar que uma forma de sustento. 

 

Da mesma forma, saber desempenhar outras funções e estar ciente do que acarretam é crucial quando se perspetiva fazer cinema enquanto realizador, mais ainda num meio e num país em que a polivalência das equipas é fundamental para levar os projetos a cabo. Gosto de realizar e é o que mais quero fazer, mas também gosto muito de ajudar a concretizar a visão de outros, em especial quando trabalho com amigos. 

 






Quais são as tuas principais influências? 

 

Não tenho, pelo menos ainda, um cânone pessoal, e tento manter-me permeável ao que vejo e ouço, no cinema e fora dele. Tendo de nomear influências, e mesmo cingindo-me ao cinema, seria difícil não me estender… Fico-me por Víctor Erice, Abbas Kiarostami, Artavazd Pelechian e Lois Patiño, a par de vários autores portugueses. Também não posso deixar de nomear professores que me marcaram, como Ana Luísa Guimarães e Matías Piñeiro e, cada vez mais, o núcleo de amigos com quem tenho vindo a trabalhar, tanto em projetos seus como nos meus. 

 

O que te atrai mais no formato da curta-metragem? Há alguma curta portuguesa que te tenha marcado particularmente enquanto espectador e futuro realizador? 

 

Atrai-me muito o desafio da síntese, bem como a maior liberdade que tendencialmente se consegue no formato curto, quanto mais não seja por não ter a mesma exigência em termos de orçamento. Vi centenas de curtas-metragens portuguesas e são muitas as que aprecio especialmente mas, por ter sido um filme produzido em contexto de escola, pouco antes de ter começado a minha formação, faz-me sentido destacar aqui o Amor, Avenidas Novas, do Duarte Coimbra. 

 

Há alguma ideia feita sobre o cinema português que gostasses de desafiar? 

 

A generalização mais habitual é a de que é aborrecido ou pouco entusiasmante, algo que não subscrevo. Não é um pensamento original, mas julgo que muitos espectadores estão condicionados por um determinado tipo de estimulação, o do entretenimento ou das redes sociais, e acabam por rejeitar filmes que precisem de um pouco mais de disponibilidade para serem fruídos, sejam portugueses ou não; isto quando os filmes lhes chegam, o que a falta de distribuição tende a não facilitar.  

 

Este lugar-comum não é, sequer, generalizável a toda a cinematografia portuguesa, que está longe de ser homogénea. Há filmes portugueses que agradarão a muitas pessoas, assim se permitam ir à descoberta deles, seja no circuito comercial, nos festivais, nos cineclubes, na Cinemateca ou mesmo nas plataformas de streaming

 

Se pudesses mudar uma coisa na forma como o público consome cultura, o que mudarias? 

 

Cingindo-me novamente ao cinema: gostava que a sala voltasse a ser um lugar de frequência massiva, que tantos concelhos que perderam cinemas os recuperassem, e que a distribuição no circuito comercial fosse mais corajosa. Muitos dos meus amigos fora deste meio, mesmo os mais despertos para a cultura, perderam o hábito de ir ao cinema. Não sei se será possível reverter esta perda, pelo menos por enquanto. Aquilo de que tenho a certeza é de que nada substitui a experiência de ver um filme em sala. 

 

Estás a trabalhar em novos projetos? O que podemos esperar nos próximos tempos? 

 

Terminei agora de filmar uma nova curta-metragem, ainda sem título definitivo. Espero poder mostrá-la para o ano. 

 

Onde podemos seguir o teu trabalho? 

 

No cinema, espero! 

 

Fica a conhecer todos os premiados dos Novos Talentos FNAC 2026 nas categorias de Cinema, Escrita, Fotografia, Ilustração, Música e Videojogos. Descobre AQUI os seus trabalhos.  

ENTREVISTA- NTF 2026- CINEMA- Rodrigo Soares Teixeira
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