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SAMUEL ÚRIA EM ENTREVISTA
ENTREVISTA A SAMUEL ÚRIAENTREVISTA A SAMUEL ÚRIA

“Cabe-nos ser bons mordomos da liberdade que nos foi outorgada”



No novo álbum de originais, 2000 A.D., Samuel Úria declara o “presente hostil” e dialoga com o seu “eu” do passado. Sem sacudir culpas, e fazendo as pazes “com o que ficou por dizer ou ficou por fazer”. Vamos avançar até ao ano 2000?

 




Onde é que estavas no ano 2000?

 

Em Tondela, ainda. A passagem de 1999 para 2000 foi passada em Tondela. É a única passagem de ano que eu me lembro, num raio de muitas. E não foi nada de especial.

 

“Vai ser melhor em 2000”, cantas. As expectativas de transição e progresso associadas à chegada do ano 2000 ficaram por cumprir?

 

Não se cumpriram porque também não tinham de se cumprir. Parte do amontoado de expectativas não tinha nenhum fundo racional ou lógico. Era um encandeado de vontades, por ordem do milénio, do número redondo — excessivamente redondo. Não havia nada que tivesse de se cumprir; havia, sim, um lado romântico, pop, que nos fazia acreditar que 2000 se afigurava como o futuro cristalizado. Mas outras coisas também não se cumpriram, como o desastre nuclear por causa do bug do ano 2000. Por isso, por muito que haja uma mágoa das coisas boas que não se cumpriram, também nos safámos de boa das coisas más, que até seriam mais lógicas do que essas vontades que não tinham razão nenhuma de existir.

 

Mantendo o início do milénio no divã, no teu entender, como é que se criaram essas expectativas?

 

Não sei, talvez tenha a ver com uma certa preguiça de fazer as coisas acontecer. Acreditávamos, quase magicamente, que todas as melhorias no mundo se realizariam apenas com a transição absurda de 1999 para o 2000. Falo disso a partir da perspetiva de quem era criança nos anos 80 e adolescente nos anos 90. Essas ambições eram um pouco ingénuas, alimentadas por um fervor otimista e colorido dos anos 80, e pelo fim da Guerra Fria. Havia esta ideia de que caminhávamos para as soluções da humanidade, algo à imagem da ficção científica de Star Trek, em que as nações da Terra começavam a cooperar e a expandir-se pelo espaço. Era um lado ingénuo que, para mim, estava relacionado com a idade, mas também com a cultura popular. Claro que os anos 90 começaram a contrariar isso, trazendo mais cinismo e uma revolta, muitas vezes sem fundamento, mas que esteticamente parecia interessante — estar deprimido tornava-se "fixe", não pelo que se passava no mundo, mas pelas expectativas que se tinham. O meu caminho até ao ano 2000 foi feito dessa ilusão, quase cartoonesca, porque não era real. E, como se costuma dizer, esse rato acabou por parir um rato; não uma montanha, mas algo inflacionado sem razão de ser.

 

Este disco dialoga com o teu "eu" do passado ou do presente?

 

De certa forma, o disco constrói pontes entre as ideias que ficaram por cumprir e que permanecem... Culpo o meu eu do passado, mas não me demito de ser ainda a mesma pessoa. Ou seja, não sacudo as culpas daquilo que não foi feito pela minha inação. Nesse sentido, quando faço uma reflexão negativa, quando sinto que há muitas coisas que ficaram aquém, sou o primeiro a sentar-me no banco dos réus. A minha visão negativa começa pela conjuntivite dos meus próprios olhos, pelo que está mal à minha volta.

 

É um álbum zangado?

 

Não, eu acho que não é zangado.

 

É mais autocrítico?

 

É mais autocrítico, sim, nesse sentido sou menos Lou Reed. Aliás, acho que não consigo começar a escrever uma canção se o meu estado de espírito for de zanga, porque eu não associo música... Quer dizer, enquanto consumidor, gosto [dessa zanga], já andei muito à porrada por causa de música, mas para escrever nunca. Às vezes há frustração por não conseguir chegar à palavra que queria, há frustração por chegar à palavra que devia e não quero assumir, mas mesmo nessas frustrações, mesmo nas maiores desilusões, mesmo nas temáticas mais cabisbaixas, nunca há ira. Nunca estou irado a escrever.

 

Fazes, de alguma forma, as pazes com o Samuel de 2000 A.D.?

 

Faço, faço. Até porque acho que esse é o lado terapêutico de escrever canções, que poupa dinheiro num psicólogo. A vontade de escrever canções parte também muito desse pacificar com o que ficou por dizer ou ficou por fazer. O que no fundo é uma treta, porque entristece-me essa falta de coragem no momento certo, quando devia ter dito ou feito algo. Mas, ao mesmo tempo, é o que garante que terei sempre inspiração, porque as coisas acabam por ter de sair de alguma maneira — e ainda bem que saem em forma de canções.

 

Este não é um disco para novos?

 

Acho que os meus discos são sempre um pouco discos para velhos, sim. São, pelo menos, discos para pessoas que não estão obcecadas pela novidade. A parte mais inovadora da minha estética é não querer ser nada inovador. Mesmo as soluções que encontro, que para mim não são novas, baseiam-se sempre em jogos de coisas em confronto — tanto nas letras como na parte instrumental e melódica. Normalmente, só me satisfazem se não soarem a novidade, se estiverem fora de qualquer corrente predominante ou que vá ser predominante nos tempos seguintes. Pode parecer uma jogada defensiva mas, na verdade, é o contrário.

 

É por isso que se ouvem algumas influências como José AfonsoLeonard Cohen ou até Ennio Morricone?

 

Sim, sendo um disco retrospetivo, era difícil não ir buscar referências que fazem parte quer das minhas bandas sonoras conscientes, quer das inconscientes, e tentar aplicá-las e desconstruí-las... Mas, lá está, sem que essa desconstrução pareça uma grande novidade ou a próxima grande coisa. Não, tem de haver sempre um lado nostálgico. De facto, os meus discos, as minhas canções, acabam sempre por padecer de alguma nostalgia porque, mesmo na crítica, há sempre uma doçura que faz parte das melodias e das canções. E, nesse sentido, é uma visão com os óculos embaciados, que embaçam para o bem que já passou. As minhas referências musicais também partem um pouco daí. São coisas que não quero que passem despercebidas; quero que sejam reconhecidas, porque fazem parte da canção, não como um rio subterrâneo, mas como um rio que corre à vista de todos.

 

O jornalista Mário Lopes, na crítica que assina ao disco, no PÚBLICO, chamou-te de “rocker insurreto”. Como respondes a isso?

 

Esta ideia do rocker tem muito a ver com o facto de, nos concertos, continuar a querer magoar-me e fazer algum barulho. Mas hoje, o barulho, o peso, o ruído, etc., já não são problemas que se resolvem com insurreição; são quase parte da corrente mais natural do rock. A minha insurreição, na verdade, está mais nas temáticas, na ironia, nesta necessidade quase forçada de querer olhar para trás, às vezes mais do que avançar, sem me entregar a exercícios estéticos retroativos, sem querer ser um cosplayer de outras eras, mas ainda assim fazendo algo nostálgico. Porque para mim essa nostalgia, embora seja algo doce, no contexto do rock acaba por ser algo agressivo, que causa mais transtorno do que aplaca as fúrias.

 

O álbum anterior, Canções do Pós-Guerra, acabou por ser quase premonitório em relação à pandemia. Isso condicionou a abordagem a um novo trabalho?

 

Condicionou originalmente, porque eu queria muito fazer um disco que fosse o contraponto ao anterior. Um disco, infelizmente, premonitório, devido ao azedume que pronunciava, e que depois se concretizou, não da forma que esperava, mas com algumas conclusões que o contexto da pandemia veio canalizar e sintetizar. Queria fazer algo mais positivo, mais alegre, mas confesso que não consegui. Muitas das canções que escrevi nos anos seguintes à pandemia não chegaram, ou chegaram de forma diferente, ao fim deste disco. Queria fazer algo mais alegre e festivo, mas desisti porque também queria fazer uma coisa sincera. E, sinceramente, este rescaldo do primeiro quarto de século pós-ano 2000 não era algo que se canalizasse para canções só festivas e alegres.

 

Sentes que o Canções do Pós-Guerra foi sequestrado pelo período em que foi lançado?

 

Com certeza, e não estou a falar do sucesso que o disco teve, ou não teve. Tem a ver, de facto, com a leitura que foi feita, pois o disco acabou por ficar muito refém do seu conceito. Embora não seja um disco sobre a pandemia, foi interpretado por muitos, especialmente por aqueles que o analisaram ou ouviram de forma mais crítica, como um reflexo desses tempos. Talvez ganhe uma nova vida daqui a algum tempo porque, embora soe conceptualmente ao período em que foi lançado, esteticamente não soa a tempo nenhum. As canções podem vir a ser redescobertas, e até posso ser eu o promotor dessa redescoberta, mantendo algumas delas nos alinhamentos dos concertos.

 

“Embora o álbum tenha apenas nove faixas e pouco mais de meia hora de duração, essa concisão não foi por falta de material”, disseste à BLITZ. O que ficou fora?

 

Ficaram algumas daquelas canções um pouco mais alegres, algumas que nem cheguei a concluir. Antes de partir para a temática do ano 2000, que só aconteceu quando escrevi a canção 2000 A.D., a faixa título, comecei a pensar que poderia fazer um disco que, mesmo que não fosse tematicamente explícito em relação ao ano 2000, tivesse trejeitos que ligassem as canções em torno desse conceito. Por isso, muitas das canções que estava a escrever ficaram para trás, outras foram reformuladas, e algumas até encurtadas. Detesto escrever para a gaveta.

 

Isso significa que não tens nada guardado.

 

Tenho muito pouca coisa, sim.

 

A escrita de canções só faz parte do processo de preparação de um disco?

 

É quase sempre assim. Aquela ideia de escrever porque é necessário, ou porque é inevitável para a vida e para a sanidade mental de um artista, aplica-se a mim, mas está sempre canalizada para o evento de criar discos, ou para uma motivação específica, ou para algum intérprete que me tenha pedido algo. Quando não estou concentrado na escrita, essa necessidade artística, romântica, ou o que quer que seja, de criar canções, mantém-se e acaba por se manifestar mais na atenção que dou ao que me rodeia, no ato de aprisionar ideias que vão ficando acumuladas — seja mentalmente, seja em anotações no telefone. Quando chega o momento de me consagrar à escrita, e já com o pensamento num disco, vou buscar essas ideias ou, inconscientemente, elas acabam por surgir, porque há um património inconsciente das coisas que se estão a passar, e, talvez, tenha desenvolvido alguns processos para reter.

 

Assinavas, semanalmente, uma crónica no SAPO24. Continuas a escrever sobre a atualidade, guardas alguns escritos?

 

Talvez por preguiça, sempre tive uma abordagem utilitária da escrita. Não mantenho um querido diário onde registo pensamentos, nem na adolescência o fazia, mas arranjo sempre alguma forma de escoar essa vontade, encontrando um propósito para a escrita. Quando escrevia crónicas, por exemplo, tinha um exercício muito regrado, porque todas as semanas tinha — e com todo o prazer — de ativar algo que, muitas vezes, se manifesta como uma necessidade.

 

Neste período em que não estou a escrever para nenhum lado, a necessidade ainda está cá, mas é quase como sexo tântrico: mantenho-me no limiar, quase a escrever, mas sempre à espera do momento certo. E, quando finalmente chega, sinto que o processo se torna muito mais prazeroso.

 

O que fez com que 2000 A.D. fosse o disco mais rápido que já gravaste?

 

Foi o disco mais rápido de gravar e aquele em que menos tempo decorreu entre o fim das gravações e o lançamento. No entanto, foi também o mais lento, se considerarmos o intervalo entre a primeira e a última canção. A primeira foi escrita numa altura em que ainda acreditava que seria um disco alegre, enquanto a última surgiu dois ou três anos depois. Mas, assim que decidi quais as canções que queria gravar, o processo desenrolou-se rapidamente.

 

De Lisboa a Vila do Conde, passando por Barcelos, este disco ganhou forma em vários estúdios.

 

Parte das soluções musicais encontradas, além da intencionalidade, resultaram também da urgência de gravar algumas coisas durante as férias. Isso levou-me a recorrer a músicos que, embora habituais, não fazem parte da minha banda. O meu produtor mora no Porto, e o baterista — também membro dos Clã, dos Peixe:Avião e de outros projetos — tem um estúdio em Barcelos. Além disso, aproveitei a disponibilidade dos olímpicos Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves para gravar no estúdio dos Clã, onde fiz uma espécie de pré-produção que acabou por se transformar em produção, já que algumas dessas gravações chegaram às versões finais. Também passei por estúdios lisboetas, como o louva-a-deus, o Namouche e o estúdio do Rei Veloso.

 

Que marca deixou essa tour por diferentes estúdios no resultado final do disco?

 

As deslocações estão diretamente ligadas com as necessidades do disco e com os músicos que queria ter. No caso do Pedro Oliveira [baterista], por exemplo, a sua maneira de tocar é muito característica e exatamente o que eu procurava. Embora as minhas maquetes já tivessem algumas ideias, elas eram mais guias para o Pedro fazer o que ele sabe fazer, e eu não sei. Além disso, procurei salas com uma certa dimensão, a necessária para gravar os coros.

 

Corrige-me, mas parece que a Canção de Águas Mil fica em aberto. Como é que este tema liga com o restante disco?

 

Já tinha começado a escrever a Canção de Águas Mil, ainda de forma vaga, quando fui convidado pela RTP para fazer um programa dedicado ao 50.º aniversário do 25 de Abril. E foi curioso, porque a canção já estava aberta a receber parte daquela letra. Quando comecei a escrever percebi que fazia todo o sentido dedicá-la à mordaça e ao cinzentismo do pré-25 de Abril. Um passado que acabou por me condicionar indiretamente, principalmente pelo colorido no qual nasci.

 

A canção ter ficado em aberto está relacionada com o facto de a Revolução, embora concreta e eficaz, ter-nos deixado uma história que ainda está por escrever. Cabe-nos a nós sermos bons mordomos da liberdade que nos foi outorgada. O resto da canção é escrito por quem a ouve, por mim e por quem quiser. Claro que, ao escrever, condeno aqueles que ainda têm saudades do cinzentismo e da mordaça.

 

É preciso manter as cores bem vivas? É altura de sermos vocais e não ficar em cima do muro?

 

Sobretudo, é uma altura para deixarmos claro que o que nos abateu, o que nos matou, o que nos definhou durante tantos anos, não pode voltar, não pode ser revivido com óculos escuros; tem de ser visto com toda a clareza. Não nos podemos permitir nostalgias de coisas que, em nenhum contexto e sob nenhuma leitura, podem ser agradáveis.

 

Noutro tema, Um Amor Português, pegaste em Alexandre O’Neill, numa primeira incursão pelos poetas. É um exercício de escrita? Tencionas repeti-lo?

 

Não foi um exercício de escrita premeditado, no sentido de que não me propus a pegar num poeta e desconstruir uma obra. Encontrei-me, sim, com um poema com o qual já tinha contacto há muito tempo, e que já tive oportunidade de dizer publicamente em várias ocasiões. Muitas das suas expressões estavam guardadas na minha memória. Já nem consigo precisar exatamente o porquê, nem o contexto, mas houve ali um clique. A força daquelas palavras não podia deixar inerte alguém como eu, que gosta de escrever e quer fazer da escrita de canções a sua vida. Esse reencontro com o poema acabou por se tornar uma motivação para escrever uma canção, que nunca quis que fosse uma simples musicalização do poema, nem uma análise do mesmo, mas sim um entendimento da minha vida em relação à vida daquele poema, à biografia tão específica que ele carrega. Como poderia rever a minha vida através das dificuldades e situações desse poema que, apesar de não serem as mesmas, podem encontrar uma ligação na ambiguidade da palavra poética? Acima de tudo, é uma homenagem, uma declaração de afeição eterna por essas palavras que me precederam e, de alguma forma, também me criaram.

 

Por homenagens, o disco termina com outra a um amigo, o Xico da Ladra. É um tema que faz o luto?

 

Era um tema que já tinha a necessidade de ser escrito. Embora só o tenha registado, escrito e gravado no final das minhas sessões de criação, estava presente na minha cabeça desde o desaparecimento do Xico. Já o tinha partilhado no Instagram, no aniversário da sua morte, que coincidiu com a fase em que estava a terminar de escrever as canções. O que partilhei no Instagram era um rascunho, algo gravado com poucos meios, de forma caseira, com alguns ruídos. Mas por ser um rascunho tão sincero, quando chegou a altura de compilar o disco e com a vontade de incluir essa canção de homenagem e esperança, acabei por reutilizá-lo. O engenheiro de som, o Nelson de Carvalho, fez alguns ajustes, mas a canção ficou exatamente como a tinha partilhado originalmente.

 

A canção descreve exatamente o que era louvável no Xico: a forma como ele era um verdadeiro campeão da amizade, uma figura agregadora, tão serena e, ao mesmo tempo, festiva – o que é um paradoxo. Adoro paradoxos. Não há nada que me dê mais vontade de escrever do que os paradoxos.

 

Como em todos os teus discos, 2000 A.D. conta com duas colaborações: uma com a Carol, outra com a Margarida Campelo.

 

Gosto muito de ter presenças femininas para embelezar o disco, para evitar que ele se torne um eterno balneário de Educação Física do 7º ano, com aquele cheiro desagradável. Trouxe duas pessoas com quem já queria colaborar há muito tempo e com quem tenho uma relação de amizade. Com a Margarida, já participei em vários projetos, e ela trouxe o toque de elevação que eu precisava para uma canção que, de outra forma, seria um pouco mais suja e rasteira. Já a Carol resume as qualidades descritas na canção; ela incorpora a sua identidade, lânguida e maviosa, mas ao mesmo tempo muito intensa. Quem vê a Carol a cantar, não só pela sua voz, mas a própria fisicalidade quando canta, percebe imediatamente que ela era a parceira ideal para essa canção, que escrevi já a pensar neste dueto.

 

Tens tocado estes temas acompanhado apenas do Silas Ferreira, nas teclas. O disco ganhará novo corpo quando acompanhado de banda?

 

Sim, já estou a ensaiar estas canções novas com a banda. Antes do disco sair, já tivemos dois concertos, em que algumas das canções já faziam parte dos alinhamentos. Agora, estamos mesmo focados em reformulá-las... Digo reformular, porque a maior parte das canções não foram gravadas com os membros desta banda; então, estamos a adaptá-las. Não no sentido de adaptar a banda às canções, nem as canções à banda, mas sim dando uma nova identidade às letras e às melodias que já existem. Está a ser muito divertido.

 

No final do ano terás a estreia nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Qual o sentimento à distância destes meses?

 

Não andamos a pensar muito nisso, mas há muita vontade de levar as canções aos vários palcos que vamos ter, para que, quando chegar o dia dos Coliseus, a experiência seja algo mais especial do que seria se acontecessem já.

 

O que é que andavas a ouvir em 2000? E o que estás a ouvir agora?

 

Coisas muito opostas. Em 2000, que também é a altura do Napster, lembro-me que passei meses a sacar a discografia do Will Oldham, o Bonnie 'Prince' Billy, uma coisa que eu não conseguia comprar em Tondela nem em Viseu. Acho que foi a primeira discografia que tentei sacar quase toda. Esta semana comecei a ouvir o disco do Bad Bunny, que acho que é o que toda a gente anda a ouvir. Agora que acabei de escrever um disco já me posso entregar aos fenómenos culturais, e estou a bater o pé a ouvi-lo.

 

Por Rita Sousa Vieira

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