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CARLOS SANCHES EM ENTREVISTA
ENTREVISTA A CARLOS SANCHES - MENÇÃO HONROSA NTF 2023- MÚSICAENTREVISTA A CARLOS SANCHES - MENÇÃO HONROSA NTF 2023- MÚSICA

“Vi aqui uma oportunidade, os NFT dão a conhecer artistas emergentes”



Carlos Sanches, menção honrosa da categoria de Música dos Novos Talentos FNAC 2023, viu nestes prémios uma oportunidade. O flaviense, que gostava de colaborar com a Cláudia Sul (A SUL) e com a Márcia, diz que o último ano tem sido muito importante para si e para a sua música.

 


O que te levou a participar nos Novos Talentos FNAC? 


Tenho andado a fazer música e vi aqui uma oportunidade, os NFT dão a conhecer artistas emergentes. Alguém partilhou comigo o link e disse: 'devias mandar as tuas canções para aqui'. Na realidade, até acho que foi a segunda vez que concorri.

 

Participaste também na edição deste ano do Festival Termómetro. Como lidas com o processo de submeter a tua música à avaliação de um júri?


Ser avaliado pode ser um bocado stressante, mas também é muito positivo. É uma forma de entrar no meio.

 

Sentes alguma dificuldade de furar no mercado?


Sim, de certa forma. Quando comecei a fazer música não sentia que fazia parte do meio em si, principalmente quando estava em Chaves, a minha terra natal. Ter participado no Termómetro e nos Novos Talentos FNAC permitiu-me conhecer outras pessoas, que sentem ou sentiam o mesmo que eu, criando quase uma comunidade. Este último ano tem sido muito importante também nesse sentido. 

 

O que sentiste quando percebeste que foste distinguido com uma menção honrosa? 


Estava muito feliz, recebi uma chamada dos meus amigos que foram ao evento. Estava a filmar um videoclip, por isso que não estava Lisboa.

 

Escreveste no teu Instagram que não pudeste receber a menção porque estavas a preparar “algumas coisas” que ainda não podias revelar. 


Era isso. Estive a filmar um videoclip em Chaves com a Bia Maria. Infelizmente calhou nesse fim de semana. Recebi essa chamada dos meus amigos durante as filmagens. Estava num sítio com muita água e quase não conseguia ouvir, mas assim que me mostraram o prémio percebi logo. Fiquei muito contente, claro. 

 

O que cantas em Clara em Contraluz? 


Clara em Contraluz surgiu a partir de uma história que um amigo me contou. Perto de Chaves havia uma aldeia (Casas da Serra) que tinha apenas dois habitantes, e essas pessoas estavam chateadas uma com a outra, nem sequer se falavam. Agora, apenas vive uma pessoa, porque a outra faleceu. Pensar o que será a solidão de uma pessoa que tem uma aldeia só para si... Todo o meu EP, A Migração das Andorinhas, do qual faz parte este tema, está muito relacionado com esse sentimento de abandono, de abandono do interior.

 

Quando é que a música surge na tua vida? 


Sempre ouvi muita música com os meus irmãos, quando era pequeno, e sempre quis tocar guitarra, o que só aconteceu perto do 9.º ano. A partir daí senti que a coisa foi evoluindo muito rapidamente, comecei a ficar viciado em tocar guitarra, em cantar e a escrever canções. Depois fiz um curso de Produção de Tecnologias da Música, na ESMAE (Porto), e outro de Desenvolvimento Artístico, na RESTART (Lisboa). Como não conseguia tirar a música da minha vida, percebi que mais valia fazer alguma coisa de jeito com ela. 

 




És de Chaves, mas estás em Lisboa a trabalhar numa área relacionada com a música. O que fazes?


Estou a dar concertos em nome próprio e a tocar guitarra num projeto de uma amiga, a Carol. É essencialmente isso. 

 

Qual a importância de Chaves, para ti e para a tua música? 


Isso foi uma coisa que acabei por desenvolver no último trabalho que fiz. Sempre tive um sentimento de amor-ódio pela minha cidade natal. Por um lado, é um sítio que toda a gente gosta; e quem não é de Chaves, quase quer para lá ir viver. Por outro, quem é de lá nem sempre tem esse sentimento. É quase cultural a ideia de que é preciso sair da cidade para estudar ou para trabalhar, da minha geração só duas ou três pessoas ainda vivem lá, o resto já está tudo fora. É muito, muito estranho ser quase forçado a sair. Agora já estou mais conformado, depois de lançar o EP reconciliei-me com isso. 

 

Se tivesses oportunidade de gerir toda a tua carreira a partir de Chaves, ficavas por lá? 


É uma boa pergunta. Nestes últimos anos tenho andado sempre de um lado para o outro. Tanto estou em Lisboa, como em Chaves, no Porto ou no Algarve. Para ver concertos ou para dar. Neste momento, penso que não iria conseguir estar sempre no mesmo sítio. Mas talvez no futuro essa seja uma opção. 

 

Tens um tema com o Filipe Keil (Desligado). Com quem mais é que gostavas de colaborar? 


Adoraria colaborar com a Cláudia (A Sul, vencedora dos NTF 2023 Música), mas há um nome que está sempre na minha cabeça. Desde que comecei a criar canções que gostava de colaborar com a Márcia, ela é muito importante para mim.

 

Quem são as tuas referências? 


Nacionais, a Márcia, o Samuel Úria, o Luís Severo e a Filipe Sambado. Internacionais, Sufjan Stevens, Fleet Foxes, Father John Misty. São apenas alguns nomes.

 

Que palcos ambicionas pisar? 


Talvez o do Primavera Sound. Já lá fui bastantes vezes e acho que esse era um ambiente em que gostava de tocar.

 

Conta-nos uma coisa que mais ninguém saiba.


Tento ser o máximo transparente possível. Posso dizer que há uma canção minha, e isto diz muito do geek que sou, que tem uma contagem decrescente na letra, colocada de forma intencional, mas que está meio escondida. Acho que a maioria das pessoas não o percebe à primeira audição. Fala de uma viagem Chaves-Lisboa, lá está, uma viagem que faço muitas vezes, e o tema está relacionada com o tempo que demora a chegar a Lisboa. 

 

Onde podemos seguir o teu trabalho?


Procurando por Carlos Sanches, no Spotify, no YouTube, no Instagram e no Facebook.

 

Vê AQUI o trabalho vencedor e as duas menções honrosas na categoria de Música dos Novos Talentos FNAC 2023.

ENTREVISTA A CARLOS SANCHES - MENÇÃO HONROSA NTF 2023- MÚSICA
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