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ANA GALVÃO EM ENTREVISTA
ENTREVISTA A ANA GALVÃOENTREVISTA A ANA GALVÃO

“Este é um dos momentos mais felizes da minha carreira na rádio”



Quem costuma ouvir regularmente As Três da Manhã, ou apenas o Extremamente Desagradável, na Renascença, já se habitou aos trocadilhos de Ana Galvão. Em Desconcentra, Não Contribui, Não Dispõe Bem não há uma história, mas a compilação dos melhores jogos de palavras que tanto exasperam Inês Lopes Gonçalves e Joana Marques. Numa animada conversa com a Cultura FNAC, a radialista faz o retrato de um “produto muito feliz” na rádio portuguesa.

 





Este livro, Desconcentra, Não Contribui, Não Dispõe Bem, é muito mais do que uma compilação de trocadilhos.

 

É sobretudo outra coisa que não uma compilação de trocadilhos, é uma cristalização do momento de rádio que eu estou a passar — e julgo que a Joana [Marques] e a Inês [Lopes Gonçalves] também. Sem estar a dizer que é melhor ou que é pior, porque há programas incríveis de rádio, este [As Três da Manhã] é o único programa no país que é feito por mulheres. E eu acho que isso é maravilhoso. 

 

Não porque sejamos nós, poderiam ser outras três, mas pelo facto de ser um programa só de mulheres, de manhã, que não é de mulheres para mulheres. Ou seja, já houve outros programas com mulheres. Que me lembre... Olha, na Antena 3, as Conversas de Raparigas. Mas era um programa de mulheres com conversa de mulheres. Aqui, não é. É um programa de três locutoras que calham ser mulheres. Tenho a certeza que é uma coisa que nunca tinha acontecido nas manhãs em Portugal. Deixa-me muito feliz. Adoro a Joana e a Inês, acho que deu num produto muito feliz, nomeadamente no Extremamente Desagradável (infeliz, para alguns visados, que não gostam...), e eu queria deixar isso marcado. Faço rádio há muitos anos, e este é um dos momentos mais felizes da minha carreira na rádio.

 

Chegas à rádio com uma voz feminina como inspiração. Também o és para quem te ouve, para jovens, mulheres, que tenham esse "o bichinho"?

 

Não sei. Quero acreditar que pode vir a ser importante (qualquer uma das três, atenção!), como para mim foi importante essa pessoa de quem falas, que se chama Fátima Baptista, que ainda está no ativo, e que foi a mulher que eu vi, uma vez, num estúdio de rádio, e que me fez pensar: eu quero ser esta pessoa. Que me deu a vontade de fazer rádio.

 

A verdade é que... E eu acho que isso acontece muito, nos programas de rádio de manhã: dizem-nos que o nosso programa de rádio alegra dias de pessoas que, se calhar, têm uma vida não tão feliz e nós, às vezes, dentro do estúdio, não percebemos isso, não nos damos conta. Mas quero acreditar que, nesta questão feminina, que infelizmente ainda temos de debater... Não somos melhores nem piores, queremos só ser iguais, e ter a validade profissional que têm os homens. Porque o nosso discurso não é feminista: simplesmente, estamos lá, somos as três, e queremos fazer como qualquer pessoa gostaria de fazer. Mas acredito que, para algumas pessoas, possa vir a despertar... É possível, é possível fazer igual. É possível ter um lugar. É possível que isto aconteça.

 

E não só isso: há muito a ideia feita de que as mulheres se dão todas mal. Ainda há muito isso. E eu, não só agora, com a Inês e a Joana, com quem tenho uma ótima relação, mas já trabalhei muitas vezes com mulheres noutras circunstâncias e nunca tive nenhum atrito maior do que o que teria com um colega homem. Mas, sim: se for inspirador, se der vontade a pessoas, ou mulheres, neste caso, pá, que bom. Fico muito contente.

 

Estamos a falar da Rádio Renascença, que é uma rádio que tem as suas características. Vocês têm total liberdade para fazerem o programa que fazem, e isso nota-se pelo Extremamente Desagradável.

 

O Pedro Leal, que é o diretor da Renascença, deixou sempre isso claro. Até quando fomos buscar a Joana. Porque eu fui para a rádio antes. Quando se teve a ideia de se fazer este programa, com três mulheres, nem sequer era a Inês, ainda, era a Carla Rocha. Primeiro, estava ela; juntei-me eu, e veio a Joana; e depois a Filipa fez as vezes da Carla quando teve de sair, depois ficou a Inês, que espero que fique — agora não se troca nada. A Joana, quando veio da Antena 3, já fazia o Extremamente Desagradável. E ela perguntou ao Pedro: "mas eu posso dizer tudo?". Porque não deixa de ser uma rádio católica portuguesa... E ele disse, "podes".

 

Nós temos noção do sítio em que estamos. Não deixa de ser uma rádio que é escutada por católicos, que é a rádio mais antiga em Portugal, que é a rádio católica de Portugal. E que, sobretudo, é uma rádio adulta, de família. Há liberdade? Há, sob o ponto de vista que nós todas temos de senso comum. Ou seja, não insultamos pessoas, não dizemos palavrões, respeitamos as pessoas que nos escutam. Mas também o faríamos na Antena 3. Mas temos liberdade total. Só para acabar: eu acho que isso torna o fenómeno mais espetacular. O ser na Rádio Renascença. Porque foi inesperado. De repente, estarmos a fazer o que estamos a fazer na Renascença, acho que isso também foi uma coisa vencedora, que não teria acontecido se fosse noutra rádio.

 

E que, se calhar, tem contribuído para atrair novos públicos, sobretudo para as manhãs.

 

Eu espero que sim. A Rádio Renascença já foi a rádio mais ouvida em Portugal, com certeza que tu tens alguém da família que ouvia a Rádio Renascença...

 

Eu sou o exemplo de alguém que não ouvia, e que passou a ouvir exatamente por saber que às 8h14 há um novo episódio do Extremamente Desagradável. E que, antes ou depois, há momentos de conversa entre três pessoas que falam ‘no ar’ da mesma forma que as imagino a falar nos corredores.

 

Até pode soar prepotente, porque aquela rádio está feita... Eu tenho colegas incríveis, mesmo. Ou seja, para além de nós, há gente que faz aquela rádio há muito tempo. Só que era uma rádio muito mais jornalística, mais informativa, só agora é que se começou a fazer mais esta coisa de ter entretenimento na manhã. Tanto que a manhã era, quase toda ela, de informação. Isso fez, claro, a diferença. Mas a verdade é que temos descoberto, ou atraído, para as manhãs da Renascença, um público que já há muito que não lá morava. E nesse aspeto acho que sim, que as pessoas novas estão a vir. E é espetacular.

 

No outro dia estava no Porto e descobri que há um salão de jogos, com aquelas máquinas antigas. Entrei lá, fiquei maravilhada com aquilo, e de repente percebo que há um grupo de miúdos, com 17 anos, que vinham super envergonhados atrás de mim, e que queriam tirar uma foto. Até pensei que não era comigo, não costumo ser o público-alvo desse tipo de pessoas, com 17 anos. Que, ainda por cima, eram ouvintes do Extremamente Desagradável. Fiquei muito contente, porque é de facto um tipo de pessoas que não ouviam a Renascença. Durante muito tempo houve aquela coisa de que a Renascença era a rádio do terço, o que é muito redutor.

 

Estamos a falar muito do Extremamente Desagradável, um programa escrito pela Joana Marques. Mas ele não existia sem as restantes Três da Manhã, sem ti e sem a Inês Lopes Gonçalves.

 

Este formato que existe, sim. A Joana faz tudo, não lhe quero tirar créditos. Ela escreve, ela ouve, às vezes acordo de manhã e tenho mensagens da Joana à 1h30 da manhã — que eu não vejo, claro... — e eu penso: ela estava acordada à 1h30 da manhã! Depois pergunto-lhe, e ela responde que estava a analisar 57 sons de não sei quê... Ou seja: ela faz tudo. Agora, este modelo que agora existe somos as três, de facto.

 

Durante algum tempo pensei que teus os trocadilhos eram escritos. Aliás, a Joana desmistifica isso no Prefácio do livro. No início alguns eram...

 

Sim, acho que a Joana escreveu um ou outro. E o que isso fez foi levar-me a vestir esta pessoa...

 

É vestir uma pessoa, ou tu és assim naturalmente?

 

Sempre fui assim, sim. Sempre tive isto. Aliás, eu contei nas sessões de apresentação da FNAC onde estive, em Lisboa e no Porto, que [um trocadilho] esteve na génese do nascimento do meu filho Pedro. Na rádio, assim desta maneira, a Joana pôs-me o tapete. "Posso? Ok, então vamos embora!...".


Como é que o teu filho reage a estes trocadilhos?

 

Depende. Mas ele está numa idade — 14 anos — em que também não pode achar muita graça a muita coisa. No outro dia mandou-me uma mensagem a perguntar se lhe comprava fiambre de peru, e eu chamei-lhe de Peru Markl [Pedro Markl]. Deu uma gargalhada, mas muitas vezes não acha [piada]. Já me disse: “isso não faz sentido nenhum”.

 

Os ouvintes mandam-te mensagens ou sugestões de trocadilhos?

 

Imenso. Há um que me mandam recorrentemente, uma imagem de um pato que faz trocadilhos, um meme... Há imensas pessoas que me mandam isso, e eu acho graça. Na sessão [de apresentação do livro na FNAC] do Porto, houve ouvintes que foram lá e que tinham os seus próprios trocadilhos. Nós vivemos num país com gente muito boa a fazer trocadilhos. É verdade!

 

Qual é o segredo para um bom trocadilho?

 

Acho que é tu dizeres uma qualquer piada que as pessoas não estão à espera. Não é só o timing, é quando consegues dizer algo que a pessoa não esperava ouvir. Acho que é isso que pode, eventualmente, fazer um bom trocadilho. Agora, não sei. Há pessoas que acham graça e há pessoas que não acham.

 

A Inês Lopes Gonçalves reage negativamente aos trocadilhos. Isso é personagem, para dar ainda mais força ao trocadilho?

 

Acho que sim, porque nós funcionamos muitas vezes como "o personagem". Mas a verdade é que as personagens estão muito coladas a nós, daí dizeres que parece uma conversa de corredor. Porque, de facto, somos essas pessoas. Agora, é um bocado acentuado, para marcar a diferença entre as três. Porque é importante que cada uma de nós tenha uma personalidade. A Inês é muito boa, como dá para perceber em alguns episódios, em trocadilhos. Acho é que ela não está tão desperta, porque eu estou sempre a pensar...

 

Outra coisa que eu acho, quanto ao segredo de um bom trocadilho, pelo menos os meus, é não dar pistas. Se eu uso a palavra "rio" e o trocadilho já tem a palavra "rio", já estraguei parte da graça. Isso também é um bocado o segredo da surpresa que aparece a seguir.

 

Qual é o teu trocadilho favorito?

Há um que eu acho graça, que é: o que é que dá um diplomata ao seu filho? Proto-colo.

 

Para mim é o do "Museu dos Coaches" aquele que ficará.

 

Esse, por acaso, não estava escrito. Foi uma coisa mesmo de momento.

 

Nasceste em Madrid. Somos melhores do que os espanhóis nos trocadilhos?

 

Acho que os portugueses são muito parecidos com os ingleses. São inacreditáveis. De tal maneira que o metem em capas de jornais, fazem notícias com trocadilhos. Nós fazemos isso nos desportivos, que são mais atrevidos. Às vezes vem uma desgraça, mas há sempre alguém que inventa uma ótima piada, e tu não sabes se te hás de rir ou não. Tanto que eu tenho descoberto que os nossos escritores eram muito bons em trocadilhos; no outro dia, percebi que há uma fotografia do Fernando Pessoa dedicada à Ofélia, dele a beber um copo, não se percebe se de cerveja ou vinho, e ele escreve por trás: "Em flagrante delitro". E eu achei muita graça. Aquilo é muito datado, é dos anos 20... Acho que o português é melhor do que o espanhol. Pelo menos é algo mais tradicional.

 

E tens algum episódio favorito do Extremamente Desagradável?

 

Tenho alguns. No meu top há um que a Joana fez com a Catarina Furtado, que foram perguntas à Catarina Furtado, de onde sai o "as estrelas não suam" [Perguntas para Catarina]. Esse é um dos meus favoritos de sempre. Mas eu sou mesmo muito fã da Joana. Gosto mesmo muito. Acho que é um golden ticket para qualquer sítio, como se veio a comprovar com o sucesso todo que ela está a ter. Ela fez um dedicado ao Ruben Rua — fez vários, mas um específico —, de uma entrevista que ele dá à Rádio Comercial, com o Rui Maria Pêgo e a Ana Martins, em que ela acaba dizendo: "és só ar" [Ruben, o Sex Symbol]. Adorei o da Adelaide Ferreira [Adelaidinha Ferreira], também: esse fez-me rir muito, porque eu conheço a Adelaide desde pequenina. Ela levou um bocadinho a mal, tenho pena disso...

 





Vocês precisam de ter os ombros largos...

 

É o que eu e a Inês estamos sempre a dizer: quem sai à rua somos nós, porque a Joana passa todo o tempo útil que conseguir em casa, a ouvir programas ou a ver televisão. A Joana não gosta de sair, o programa preferido dela é estar em casa. Ela di-lo, e é verdade. Mas já me aconteceu... Eu sou sportinguista, adoro ir ver jogos. E já me aconteceu encontrar o Nuno Santana [Sweet Santana]. E ele veio direitinho a mim... Mas ele é amoroso, disse meio a brincar que não levou muito a bem, que estavam lá os filhos. É sempre aquele constrangimento, mas ele é super querido. Chegámos a ir jantar ao restaurante dele, e ele pôs a música... As Patrocínio gostam muito, também. Mas acho que nenhuma de nós liga muito.

 

É uma brincadeira, na verdade. Há pessoas que levam a mal e eu entendo-o perfeitamente. Mas nós não levamos porque também trabalhamos nisto. Às vezes não conseguimos colocar-nos no lugar de uma pessoa que não tem esta flexibilidade de perceber que isto é a brincar, que amanhã é outra coisa. Mas é uma brincadeira, e a Joana é um doce. Quem leva a mal não devia levar.

 

De onde vem o teu sentido de humor?

 

Não sei. Não sei se isso se explica. Esta coisa com as palavras tem, de certeza absoluta, a ver com o meu pai. Ele morreu há dois anos e uma das coisas que tivemos de fazer foi pegar em coisas, ver e tal. E as agendas dele estão cheias, cheias de trocadilhos que eu acho hilariantes (mas eu também sou de riso fácil...). Cheias de nomes de bandas, de ideias, tanto que quando eu precisava de um nome para alguma coisa ele dizia. [O nome] As Três da Manhã foi ideia do Pedro Leal, mas ele também, por coincidência, falou d’As Três da Manhã. Ou o Levanta-te e Anda, que estamos a usar agora como slogan da Renascença. Foi o meu pai. Achei-lhe graça. Esta coisa de brincar com as palavras acho que vem dele.

 

Sentido de humor, não só tenho como aprecio. Para mim isso é fundamental: não consigo estreitar relação com alguém que... Que não saiba rir. Que não perceba o quão encantadora é a vida quando te ris dela. Acho mesmo isto, e penso assim: muito mais divertida e leve é a vida quando te ris.

 

Fala-me sobre as ilustrações do livro.

 

São do João Blast. Adorava que as pessoas o descobrissem, porque ele é mesmo super bom. É ilustrador de publicidade, sobretudo. Faz coisas maravilhosas. Eu queria que fosse outra pessoa, mas ela tinha trabalho e disse-me que me ia recomendar alguém que trabalhava em publicidade. Quando eu fui à página do João Blast... Fiquei apaixonada pelas coisas que ele fazia. Olha, até foi o Nuno Markl que me ajudou nisto. Não sabia que tipo de ilustrações queria, mas não queria que fossem cartoonescas. Para parvo, já estão os trocadilhos... Queria que houvesse um contraste.

 

Foi dele a escolha dos trocadilhos a ilustrar?

 

Sim, mandei-lhe os trocadilhos todos, salientando que era bom estar o dos "Coaches", porque as pessoas acham graça. O resto foi ele que foi escolhendo. A verdade é que não tive de lhe ir dizendo nada, quis dizer-lhe o mínimo possível. Acaba por ser o trabalho dele, como ilustrador. Não queria condicionar.

 

O livro tem o Prefácio da Joana e o Posfácio, muito trabalhado, da Inês.

 

Deu-lhe muito trabalho, realmente. O Prefácio da Joana é lindo, mostra que a Joana tem sentimentos — e tem. O Posfácio da Inês diz só: "continuo a achar que isto não tem graça nenhuma".

 


A Inês tem outro contributo, é dela o título do livro.

 

A Inês deu o título, num dos episódios do Extremamente Desagradável. Ela lembra-se qual é, eu não me consigo lembrar. Ela saiu-se com esta frase e eu pensei: perfeito, vou usar isto para o livro. Ela é muito boa. A Inês criou o nome Extremamente Desagradável quando a Joana estava na Antena 3. Todos os bons nomes que tu encontres, sobretudo nas manhãs, são da Inês. É ótima em sintetizar uma ideia num nome. A Quinta Pedagógica e o La Professora também são dela.

 

Acho que este é um ótimo livro para recordar o Extremamente Desagradável, que eu espero que dure muito. Não sabemos nunca quanto dura, mas pelo menos fica aqui, cristalizado.

 

Têm medo de chegar a um ponto em que se cansem de o fazer?

 

Estás a perguntá-lo à pessoa errada. Eu sou uma entusiasta, na vida. Adoro este programa. Já fiz muita rádio, para achar que sei o que é que é bom, que oportunidade é que te estão a dar. E eu acho que isto é uma oportunidade. Obriga-nos a acordar cedo, obriga-nos a dormir cedo — ir para a cama às 22h é uma tristeza, então no verão... —, mas é uma oportunidade maravilhosa que está a acontecer, nas nossas vidas e na rádio.

 

Olha, outro dia a Júlia Pinheiro disse uma coisa engraçada. Ela entrevistou-me, por causa do livro. E disse que gostava muito do programa, e acrescentou: o difícil, nos projetos, é manter. Pode ser que sim, mas para já nenhuma das três pensa muito nisso. Estamos a divertir-nos muito.

 

O objeto livro é algo que te acompanha, tu és uma grande leitora. Houve, em algum momento, a pretensão de escrever ficção, memórias...?

 

É uma coisa que, um dia, adorava ter a capacidade para o fazer. De facto, sou leitora, e quando apanho um bom livro de um bom escritor... Quase que te emocionas, sabes? Acho mesmo que é um dom que uma pessoa pode ter. As pessoas conseguirem dizer as coisas, conseguirem transmitir o que querem dizer. Quem me dera, um dia, conseguir fazer isso. Pelo menos tentar.

 

Quem são os teus escritores favoritos?

 

O meu escritor favorito é o Saramago. Gosto mesmo muito. Acho que ele tinha este dom de dizer. Tu lês e entendes o que ele está a querer dizer. Não só gosto dos livros dele como gostava muito da pessoa. O José e Pilar é um filme lindo. Mas tenho muitas pessoas de quem gosto. Gosto muito de escritores espanhóis, adoro um tipo que se chama Miguel Delibes. Escreve muito sobre aquilo que foi a Espanha do pós-guerra. O Jorge Amado é, também, incrível. O Ruben da Fonseca faz parte do meu grupo de escritores favoritos: o Agosto é um livrão. O Fernando Namora, que descobri há pouco tempo, também.

 

O que é que estás a ler?

 

Estou a acabar o livro do Henrique RaposoAs Três Mortes de Lucas Andrade. É um belíssimo livro: muito grande, muito bom. No comboio li metade do Tudo é Rio, da  Carla Madeira. Lê-se super bem.

 

Por Rita Sousa Vieira

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